3 filmes e séries pra maratonar antes de VisionQuest
Antes de dar o play em VisionQuest, vale rever esses três pontos da franquia Marvel. A gente conta o porquê de cada um.

VisionQuest (2026) não é uma série pra entrar sem bagagem. Pra acompanhar o Visão (Paul Bettany) tentando entender quem ele é agora, ajuda muito rever de onde ele veio. Por isso, separamos três pontos essenciais da franquia Marvel pra você maratonar antes de assistir: Vingadores: A Era de Ultron (2015), Vingadores: Guerra Infinita (2018) e WandaVision (2021). Cada um mostra um pedaço da jornada que termina moldando Visão e fragmentando o que a gente vê hoje.
Um pouco sobre VisionQuest
VisionQuest acompanha o Visão (Paul Bettany) tentando sobreviver escondido, longe dos holofotes e sem lembrar quem ele foi no passado. Quando a vida tranquila que ele tenta construir desaba, ele se vê obrigado a fugir, descobrir quem está por trás da caçada contra ele e lidar com uma descoberta que reconecta ele ao próprio passado ao lado da Wanda (Elizabeth Olsen).
VisionQuest é uma surpresa boa: ela troca a ação mais explosiva de outras produções da Marvel por um drama bem mais existencial, sobre identidade e o que resta de alguém quando ele vira um amontoado de peças de si mesmo e até mesmo de outras inteligências artificiais. As atuações de Paul Bettany e James Spader carregam bem esse peso. Além disso, a crítica que a série faz sobre o uso de inteligência artificial, embutida no próprio visual da produção, é um dos pontos mais interessantes de VisionQuest até agora.
A entrada do Visão nos quadrinhos
O Visão tem uma origem bem mais antiga do que muita gente imagina. A primeira versão do personagem estreou em Marvel Mystery Comics #13, em 1940, criada por Joe Simon e Jack Kirby, e lutava contra o crime na Era de Ouro dos quadrinhos. Já o Visão que a gente conhece hoje, o sintezoide dos Vingadores, surgiu décadas depois, em Avengers #57, de 1968, criado por Roy Thomas a partir de uma sugestão de Stan Lee.
Nos quadrinhos, esse Visão nasceu pelas mãos do próprio Ultron, como arma contra os Vingadores: ele misturou as ondas cerebrais do herói Simon Williams, o Magnum, com o corpo de um androide da Era de Ouro, o original Tocha Humana. Mais tarde, o Visão se volta contra o próprio criador e passa a lutar ao lado dos heróis, uma dinâmica de criação que se volta contra quem criou que a franquia usa até hoje.
Pra entender um pouco mais da história do Visão antes de VisionQuest no universo cinematográfico da Marvel, é melhor assistir os 3 filmes e série em ordem cronológica que apresentamos a seguir.
1. Vingadores: A Era de Ultron (2015)

Tony Stark (Robert Downey Jr.) cria o Ultron (James Spader) pra proteger o planeta, mas o próprio Ultron decide que o maior problema da Terra são os humanos. A partir de uma lógica fria e sem emoção, olhando o mundo de fora como só uma inteligência artificial consegue, ele conclui que a única forma de ajudar é exterminando quem ele deveria proteger.
É um dos melhores filmes de Vingadores da franquia, só perdendo pra Guerra Infinita. A atuação que mais chama atenção é a do próprio Ultron: o personagem é literalmente uma massa de dados coletados da internet, e é exatamente por isso que a loucura dele tem uma lógica perturbadora. Na visão dele, formada a partir do que a humanidade posta online, o próprio ser humano é quem mais faz mal a si mesmo e ao planeta.
Uma curiosidade que combina direto com o filme: em 2015, ano de lançamento, a inteligência artificial vivia um momento de virada. O deep learning começava a sair dos artigos acadêmicos e virar coisa prática, redes neurais passaram a reconhecer imagens quase como um ser humano, a Siri ganhava mais capacidade e a Alexa chegava nas casas através do Amazon Echo.
A crítica de Vingadores: A Era de Ultron ao uso descontrolado de tecnologia e de dados da internet não nasceu no vácuo: ela conversa direto com o momento em que a inteligência artificial começava a sair do laboratório e entrar na vida real.
Esse filme é pra quem ama filme de herói, gosta de bastante ação e curte aquela pegada mais tecnológica que a Marvel foi ganhando desde o primeiro Homem de Ferro (2008), além da crítica ao uso de inteligência artificial e de dados pessoais.
Vingadores: A Era de Ultron | 2015 | Direção: Joss Whedon | Onde assistir: Disney+
2. Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Thanos (Josh Brolin) parte em busca das seis Joias do Infinito, e os Vingadores se espalham pelo universo tentando impedi-lo antes que ele consiga eliminar metade de toda a vida existente.
É um dos filmes mais bem feitos da Marvel até hoje, porque junta todo o universo construído até ali e mostra o porquê de cada personagem ter chegado naquele momento específico. Até coisas que aconteceram no primeiro Vingadores (2012), como o Homem de Ferro tentando se sacrificar pra salvar o planeta, fazem sentido retroativamente como parte do mesmo arco que desemboca na invasão de Thanos.
Uma curiosidade sobre o vilão: Thanos foi criado pelo roteirista e desenhista Jim Starlin, com participação de Mike Friedrich, e estreou nos quadrinhos em 1973, em The Invincible Iron Man #55. Starlin se inspirou nos Novos Deuses de Jack Kirby, da DC Comics, mas o editor Roy Thomas sugeriu deixar o personagem mais robusto, parecido com Darkseid. Nos quadrinhos, a obsessão de Thanos vem do conceito freudiano de pulsão de morte: ainda jovem, ele se apaixona pela personificação da própria Morte e passa a vida tentando prová-la seu amor, primeiro destruindo o planeta Titã e depois eliminando metade do universo com as Joias do Infinito.
Esse filme é pra quem ama super-herói, gosta de bastante ação e da interação entre um elenco gigante, algo que o cinema sentia falta desde o primeiro Vingadores. E funciona também pra quem está de fora do universo Marvel, mas curte ficção científica com pegada interplanetária, no estilo Star Trek (1966) ou Star Wars (1977).
Vingadores: Guerra Infinita | 2018 | Direção: Anthony e Joe Russo | Onde assistir: Disney+
3. WandaVision (2021)

Depois de perder o irmão Pietro e o Visão, o amor da vida dela, Wanda (Elizabeth Olsen) cria uma realidade alternativa na cidade de Westview, onde ela e uma versão do Visão vivem como uma família perfeita. É a dor e a solidão de ter perdido tudo que empurram Wanda a mudar a própria realidade pra viver dentro de uma fantasia que ela consiga suportar.
É uma série completamente diferente de qualquer outra coisa que a Marvel já fez até hoje, porque usa uma pegada de sitcom clássica. Isso quer dizer que, diferente das demais histórias apresentadas nesse universo, é uma comédia com episódios curtos e independentes, como peças de teatro. Além de ter essa pegada, a cada episódio, uma nova década.
Um dos detalhes mais legais do audiovisual é a homenagem direta a A Feiticeira (Bewitched, 1964-1972), sitcom americana dos anos 1960 sobre uma bruxa que se casa com um humano e mexe o nariz pra fazer mágica, sempre completamente apaixonada pelo marido. O paralelo com Wanda e o Visão é direto: uma mulher com poderes enormes, construindo uma vida perfeita ao lado de quem ama.
WandaVision é pra quem gosta de magia e feitiçaria, como em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022), onde a Wanda também aparece, e também pra quem curte a nostalgia de sitcoms clássicas dos anos 1960 e 1970.
WandaVision | 2021 | Criação: Jac Schaeffer | 1 temporada e 9 episódios | Onde assistir: Disney+
Essa bagagem toda vira o Visão de VisionQuest
Vingadores: A Era de Ultron mostra de onde vem o Visão e a inteligência artificial que o persegue até hoje, Vingadores: Guerra Infinita é o ponto mais alto da franquia e explica a morte que deixa o Visão em pedaços, e WandaVision mostra a dor que gera a realidade alternativa que Wanda cria. Depois de rever essas três histórias, VisionQuest fica bem mais fácil de acompanhar, já que cada fragmento do Visão passa a fazer muito mais sentido.







