Hope: O Primeiro Impacto é uma ficção científica coreana com ação e humor
Um mistério em uma vila isolada vira uma aventura caótica com criaturas alienígenas, violência e humor. Hope: O Primeiro Impacto é uma das minhas maiores surpresas do ano.

O filme sul-coreano Hope: O Primeiro Impacto (Hope, 2026) é uma ficção científica que mistura criaturas alienígenas, suspense, ação violenta e humor em uma aventura completamente imprevisível. Eu vi o trailer durante uma sessão de cinema em que estava assistindo a outro filme e fiquei imediatamente fisgado pela brutalidade e pelo desespero que apareciam na tela. Juntar monstros misteriosos, tensão e ação já é uma receita certeira pra chamar minha atenção, mas eu não imaginava que o longa fosse me conquistar tanto.
Dirigido por Na Hong-jin, de A Médium (The Medium, 2021), o filme transforma uma situação regional em uma história cada vez mais absurda e grandiosa. Com perseguições alucinantes, cenas violentas e personagens que precisam lidar com o desconhecido, Hope entrega muito mais do que eu esperava e se tornou uma das minhas experiências favoritas de ficção científica no cinema este ano.
Qual é a história de Hope: O Primeiro Impacto?
Em uma pequena comunidade rural chamada Porto Hope (Hope Harbor), próxima à Zona Desmilitarizada entre as Coreias, o chefe de polícia Bum-seok (Hwang Jung-min) recebe notícias de uma criatura misteriosa que ameaça os moradores. Enquanto ele tenta proteger a população e troca informações sobre o ocorrido com sua parceira policial, Sung-ae (Hoyeon), o jovem caçador Sung-ki (Zo In-sung) e outros habitantes do vilarejo partem pra investigar o que tá acontecendo na região.
O que começa como uma investigação sobre uma ameaça desconhecida logo se transforma em uma luta pela sobrevivência. Com a presença de criaturas alienígenas misteriosas, interpretadas por Michael Fassbender (Ma'veyyo), Alicia Vikander (J'aur), Taylor Russell (Ai'dovor) e Cameron Britton (Va'migere), a história cresce em escala e revela que nem tudo é o que parece.
Bastidores e recepção de Hope: O Primeiro Impacto
O filme se passa nos anos 1980
Embora isso não seja destacado logo de cara, Hope se passa na década de 1980. Em entrevista, Na Hong-jin explicou que a escolha do período ajudou a construir o isolamento dos personagens, já que a presença de smartphones e a facilidade de comunicação dos dias atuais poderiam complicar essa proposta. Além disso, situar o Porto Hope perto da Zona Desmilitarizada entre as Coreias reforça a sensação de afastamento do resto do mundo. A ideia é começar em uma comunidade remota e pequena antes de expandir a história pra algo de maiores proporções.
Hoyeon passou seis meses treinando para o papel
Conhecida mundialmente por Round 6 (Squid Game, 2021), Hoyeon encarou uma preparação intensa pra viver a policial Sung-ae. A atriz passou seis meses treinando com armas de fogo, fazendo exercícios de força e resistência e aprendendo a dirigir carros com câmbio manual. Ela também praticou manobras de direção pras sequências de perseguição. Todo esse esforço aparece na segurança com que a personagem lida com as situações de perigo e explica porque Sung-ae tem uma presença tão marcante nas cenas de ação do filme.
A recepção em Cannes e o orçamento gigantesco
Hope estreou na competição oficial do Festival de Cannes de 2026 e chamou atenção por sua mistura pouco convencional de ação, violência, humor e ficção científica. A recepção foi de surpresa e entusiasmo, embora a ambição narrativa e a duração também tenham dividido opiniões. O filme também vem sendo divulgado como o filme sul-coreano mais caro já produzido, com um orçamento estimado de cerca de US$ 46 milhões. É um investimento gigantesco pra uma produção que abraça o absurdo sem medo de arriscar.
Hope: O Primeiro Impacto mistura ação frenética, humor e criaturas alienígenas

Hope: O Primeiro Impacto não tem um enredo exatamente inovador, mas acerta demais ao misturar suspense, ação e humor de um jeito que faz sentido dentro da própria loucura. É uma história com elementos que eu já vi em outros filmes, mas contada de um ponto de vista pouco explorado nesse tipo de produção. Essa perspectiva diferente deixa tudo mais fresco e me fez comprar a proposta sem muita dificuldade.
O filme já começa jogando a gente no meio de uma situação misteriosa e não demora pra engatar em uma ação frenética, que dá pouquíssimo descanso ao longo das quase 3 horas de duração. O gore aparece sem economia, com cenas violentas, sangue e momentos que dão agonia de assistir. E o mais curioso é que, no meio desse caos, o humor funciona muito bem. Tem momentos em que eu estava tenso, outros em que caí na gargalhada (como na cena de um relato de um personagem idoso) e vários em que fiquei sem acreditar no que estava vendo.
O enredo é cheio de camadas e se revela aos poucos. A cada nova descoberta, a história fica mais absurda e, na minha opinião, melhor. Acho importante deixar a descrença de lado e embarcar na viagem que Na Hong-jin propõe, porque tentar encontrar uma explicação lógica pra tudo pode atrapalhar a experiência. Eu fui ficando cada vez mais intrigado com a mitologia desse universo e terminei o filme querendo saber muito mais. Por enquanto, já entrou na minha lista de melhores filmes do ano e de experiências de ficção científica mais legais que tive no cinema.
O elenco inteiro tá excelente, mas fiquei especialmente impressionado com Hoyeon como Sung-ae. A personagem é apresentada em uma cena fantástica, que já deixa claro que ela não tá ali só pra acompanhar os protagonistas masculinos. A primeira aparição da criatura alienígena é icônica também e é um momento que gruda na memória. E, se eu tivesse que escolher uma sequência pra representar a maluquice deliciosa desse filme, seria a cena de perseguição com um carro em alta velocidade, um homem montado em um cavalo e uma criatura os perseguindo, com um desfecho que me fez contorcer na cadeira e gritar no cinema.
Só tenho um problema com o filme: o visual das criaturas. As ideias por trás delas são interessantes e o design é marcante, mas alguns efeitos em CGI deixam a desejar e acabam tirando um pouco do impacto de certas cenas. Ainda assim, isso não foi suficiente pra estragar minha experiência. Pelo contrário, amei a introdução da mitologia desse universo e o jeito como o filme me deixou cheio de perguntas. O final ainda entrega um gancho que me deixou de queixo caído e me fez torcer pra que uma sequência explore muito mais esse mundo.
Afinal, Hope: O Primeiro Impacto vale a pena?
Hope: O Primeiro Impacto vale demais o seu tempo, principalmente se você curte ficção científica com criaturas alienígenas e filmes repletos de ação, com direito a perseguição, gritaria, tiro, porrada e bomba. Eu entrei na sala esperando um filme de ação divertido com monstros e saí com uma das maiores surpresas cinematográficas do ano.
Se você gosta de histórias com criaturas gigantes e alienígenas, como Attack on Titan (Shingeki no Kyojin, 2013), Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018) e Transformers (2007), suspense com caçada na selva, como Predador (Predator, 1987), e ação em alta velocidade, como Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015), Hope tem tudo pra funcionar muito bem pra você. Ele mistura referências conhecidas com ideias próprias e não tem medo de levar a história pra caminhos cada vez mais malucos.
Prepare-se pra uma montanha-russa de suspense, ação, violência e humor. Se você tá procurando uma ficção científica diferente, que vai te deixar tenso, fazer você rir e ainda render assunto depois da sessão, corre pra conferir esse filme!
Hope: O Primeiro Impacto | 2026 | Direção: Na Hong-jin | 2h40 | Classificação: +16 | Onde assistir: em cartaz nos cinemas




