5 filmes pra quem é apaixonado por carros
Com a reestreia de Carros nos cinemas, reunimos 5 filmes pra quem curte velocidade e adrenalina desde que Relâmpago McQueen marcou a infância de uma geração.

Entre ficção, documentário, corrida ilegal e Fórmula 1, a gente sabe que existe um grande universo pra todo mundo que é apaixonado por carros. Por isso, separamos cinco filmes que chegam junto da volta de Carros (2006) aos cinemas brasileiros, comemorando os 20 anos da animação e provando que Relâmpago McQueen marcou pra sempre a infância de uma geração inteira que hoje é fã de tudo que tem motor, velocidade e rodas girando.
Uma pausa pra falar de Carros
Carros, depois do sucesso de Toy Story (1995), assumiu os holofotes da Pixar por um bom tempo. A animação acompanha Relâmpago McQueen, um carro de corrida arrogante que sonha em ganhar a Copa Pistão, mas acaba se perdendo no caminho pra Califórnia e parando na pequena Radiator Springs, uma cidade esquecida na Rota 66.
Lá, ele é obrigado a conviver com os moradores locais, incluindo o reboque Mate e a advogada Sally, e aprende, aos poucos, que existe mais na vida do que vencer corridas e ganhar fama, descobrindo pelo caminho a importância da amizade e da humildade. A franquia emplacou três filmes no total, sendo que todos tiveram um grande sucesso.
Depois do sucesso, Carros de 2006 marcou uma geração, bem como as continuações. Até hoje, é considerada uma das melhores animações que a Pixar já fez. Dos três títulos da franquia, o primeiro continua sendo o favorito da maioria: é impossível não se apaixonar pela história e não lembrar de cabeça das falas de Relâmpago McQueen. O filme marcou tanta gente porque conta uma jornada de redenção, a de um carro que se achava o melhor, caiu do pedestal e precisou da ajuda de novos amigos pra voltar ao topo, além de ser uma animação muito bem feita pra época.
A homenagem que ninguém sabe
Pra quem não sabe, existe uma curiosidade incrível do universo de Carros. O nome do protagonista é Relâmpago McQueen em homenagem a Glenn McQueen, animador canadense da Pixar que trabalhou em diversos filmes do estúdio, como Toy Story, Vida de Inseto (1998), Toy Story 2 (1999) e Monstros S.A. (2001). Ele faleceu em 2002, durante a produção de Carros. Foi assim que os colegas da Pixar batizaram o personagem em homenagem a ele.
Além do sucesso com o público, ele levou duas vitórias no Annie Awards, o principal prêmio de animação, e foi indicado ao Oscar, também como melhor animação, mas perdeu pra Happy Feet (2006).
Se você cresceu torcendo pro McQueen ganhar a Copa Pistão e se apaixonou por esse universo automobilístico, essa lista vai funcionar muito bem. Separamos mais cinco filmes pra você continuar nessa pegada de maratonar tudo que tem a ver com velocidade e adrenalina.
1. Speed Racer (2008)

Speed Racer (Emile Hirsch) é um piloto talentoso que recusa uma proposta milionária da Royalton Industries e descobre que algumas das maiores corridas do mundo são manipuladas por magnatas sem escrúpulos. Pra salvar o negócio da família, ele decide vencer Royalton no próprio jogo, com a ajuda da namorada Trixie (Christina Ricci) e do ex-rival Corredor X. Nessa corrida, ele enfrenta o rali perigoso que matou seu irmão, Rex (Matthew Fox).
Dirigido pelas irmãs Wachowski, o filme é uma viagem visual: as cores saturadas e os efeitos exagerados fazem o filme parecer que saiu direto de um desenho animado, o que faz todo sentido, já que é baseado na animação japonesa de mesmo nome.
Pra além dos efeitos especiais, as corridas são muito bem feitas, principalmente quando consideramos a época em que a história foi lançada. Os carros são cheios de apetrechos malucos, parecidos com os carros do desenho Corrida Maluca (Wacky Races, 1968-1969), com todo tipo de modificação escondido debaixo do capô. É algo bem utópico, mas muito divertido de ver na tela.
A atuação de Emile Hirsch é boa, ainda que perca um pouco de força por precisar seguir a pegada mais infantil e inocente que o anime tinha e que foi pro filme. Mesmo assim, funciona bem pra quem gosta de assistir histórias em família. É uma história que prende do começo ao fim, com os efeitos especiais dos carros e dos apetrechos garantindo a diversão desde a primeira corrida pra todo mundo.
Speed Racer | 2008 | Direção: Lana Wachowski e Lilly Wachowski | Onde assistir: Netflix, Universal+ e Prime Video (aluguel)
2. Ford vs Ferrari (2019)

Nos anos 1960, a Ford tenta entrar no automobilismo pra ganhar o prestígio que a rival Ferrari já tinha nas pistas. A montadora contrata o ex-piloto Carroll Shelby (Matt Damon) pra liderar o projeto. Ele monta um time ao lado do piloto e engenheiro Ken Miles (Christian Bale), só que Shelby entra em conflito com os executivos da Ford, mais preocupados com o negócio e a imagem da empresa do que com o esporte em si.
O filme é dirigido por James Mangold e mostra bem o quanto o automobilismo, mesmo competitivo, também é uma guerra de bastidor dentro das próprias montadoras. As cenas de corrida em Le Mans são daquelas que prendem o fôlego, e a relação entre Shelby e Miles é o coração de toda essa história.
Esse filme é incrível, cheio de ação e com uma perspectiva quase documental. Ele mostra dois amigos apaixonados por velocidade, carros e competição, enfrentando tanto a burocracia das corridas daquela época quanto os próprios bastidores da Ford. Mesmo com toda a pressão, a paixão dos dois fala mais alto e não os deixa desistir. Funciona muito bem pra quem gosta de velocidade e quer sentir aquele gostinho de emoção.
Ford vs Ferrari | 2019 | Direção: James Mangold | Onde assistir: Disney+
3. Velozes & Furiosos: Desafio em Tóquio (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006)

Sean Boswell (Lucas Black) é um adolescente problemático que corre ilegalmente pra fugir dos próprios problemas. Depois de bater o carro numa corrida contra a polícia, ele é mandado pra morar com o pai em Tóquio. Lá, ele conhece Twinkie (Bow Wow), que apresenta Sean ao mundo do drift e o puxa pra dentro da cena de corrida local.
Dirigido por Justin Lin, esse é o filme da franquia que introduziu o drift pro público ocidental e também apresentou Han (Sung Kang), personagem que viraria peça-chave na cronologia de Velozes e Furiosos.
Uma curiosidade da franquia: cada filme de Velozes e Furiosos costuma ter um título original bem diferente do anterior, como 2 Fast 2 Furious, Fast Five e Furious 7. No Brasil, porém, a distribuidora manteve a marca Velozes e Furiosos colada no nome de quase todos eles.
O que é drift, afinal?
Drift é a técnica de fazer o carro derrapar de propósito numa curva, perdendo a tração das rodas de trás e deslizando de lado, mas sem perder o controle: o motorista usa aceleração, direção e contra-esterço ao mesmo tempo pra manter o carro na curva sem rodar. A manobra nasceu nas estradas de montanha do Japão, nos anos 1970, quando pilotos de rua treinavam nas curvas fechadas e descidas conhecidas como touge, as estradas sinuosas de montanha japonesas. Foi o piloto japonês Keiichi Tsuchiya quem ajudou a transformar isso numa modalidade de corrida. Até hoje, o drift é praticado nas ruas e pistas do Japão.
De todos os Velozes e Furiosos, esse é o que tem a pegada mais diferente dos filmes anteriores da franquia, até porque o protagonista, pela primeira vez, não é o Dom Toretto (Vin Diesel). Ele também é o primeiro a mostrar que o drift é cultura de rua japonesa de verdade e existe até hoje. Ou seja, a gente não está mais acompanhando um americano dentro da cultura automobilística americana, e sim um cara dos Estados Unidos se adaptando a outro estilo de vida, em outro país.
A atuação de Lucas Black também impressiona, principalmente porque era um ator que a gente não conhecia antes desse filme. Trazer um protagonista novo pra dentro de uma franquia que até então girava inteiramente em torno do Vin Diesel é um risco e tanto, e ele dá conta do recado: segura o filme sozinho e entrega uma boa entrada pra franquia.
As cenas de corrida na montanha são o ponto mais impressionante do filme. A forma como a câmera mostra cada curva, fazendo parecer que a gente está dentro do carro voando por cima da montanha, é de tirar o fôlego.
A trilha sonora também é inesquecível e ajuda a embalar toda a atmosfera do filme, com faixas que ficaram marcadas pra quem assistiu na época e continuam combinando perfeitamente com as cenas de corrida.
Pra quem já é fã de Velozes e Furiosos, assistir ou reassistir Desafio em Tóquio é sempre bom, mas ele também é pra quem curte o estilo de corrida de rua. Da lista, ele é o que tem a premissa mais ousada, cheio de corrida ilegal, drift e fuga da polícia. Ótimo pra quem curte ação com uma pegada oriental.
Velozes & Furiosos: Desafio em Tóquio (The Fast and the Furious: Tokyo Drift) | 2006 | Direção: Justin Lin | Onde assistir: Netflix e Prime Video
4. Senna (2011)

O documentário acompanha a vida e a carreira do piloto brasileiro Ayrton Senna, desde a estreia na Fórmula 1 em 1984 até o acidente fatal no Grande Prêmio de San Marino, em 1994. Passa pela rivalidade histórica com o francês Alain Prost e outros momentos da vida do piloto.
Em vez de entrevistas tradicionais, o diretor Asif Kapadia monta o filme só com imagens de arquivo, transmissões de época e vídeos caseiros da família de Senna.
O resultado rendeu ao documentário o prêmio de melhor documentário no BAFTA, além do prêmio do público no Festival de Sundance. É um dos retratos mais completos já feitos sobre Senna, e funciona tanto pra quem já é fã do piloto quanto pra quem só ouviu falar da lenda.
Esse é um dos documentários mais emocionantes que já vimos. Não é sobre mostrar o vencedor e o corredor espetacular que Ayrton Senna foi, porque é algo que todo mundo já sabe. A ideia é ver na tela o homem orgulhoso de ser brasileiro, ambicioso demais pela vitória, ao ponto de não ter medo nenhum de correr na velocidade mais alta: um verdadeiro símbolo pro Brasil.
Durante o documentário, fica claro que o objetivo era mostrar o Senna com a família, os bastidores e as injustiças que sofreu, muito além do que só o que sabia fazer como ninguém nas pistas. É muito bom pra quem gosta de corrida e pra quem quer conhecer mais da história de um dos maiores ídolos do Brasil.
Senna | 2011 | Direção: Asif Kapadia | Onde assistir: Telecine
5. F1 (2025)

Sonny Hayes (Brad Pitt) é um ex-piloto de Fórmula 1 que sai da aposentadoria pra mentorar o jovem companheiro de equipe Joshua Pearce (Damson Idris) na fictícia escuderia ApexGP. Convencido a voltar às pistas, Sonny bola uma estratégia pra transformar o time, até então fraco, numa equipe vencedora.
Dirigido por Joseph Kosinski, o mesmo de Top Gun: Maverick (2022), o filme usa câmeras reais acopladas aos carros durante corridas de Fórmula 1 de verdade, o que deixa as cenas de pista impressionantemente realistas.
É o queridinho mais recente dessa lista, o filme que todo mundo adorou e se apaixonou no ano passado. O jogo de câmeras é um dos pontos altos: a gente vê as corridas de dentro da cabine, do ponto de vista do piloto, e isso deixa cada corrida mais impressionante a cada segundo.
A atuação de Brad Pitt também é muito boa: ele traz uma pegada de mentor pro piloto novato, um veterano que já viveu de tudo nas pistas, mas ainda é cheio de confiança e se acha melhor que o próprio pupilo. A maquiagem ajuda a vender essa ideia, deixando ele com uma cara mais envelhecida e batida, que reforça toda essa ideia. Funciona bem pra todo tipo de público, não só quem já acompanha o universo do automobilismo, pra quem é curioso e quer conhecer um pouco mais.
F1 | 2025 | Direção: Joseph Kosinski | Onde assistir: Apple TV+ e Prime Video (aluguel ou compra)
De Relâmpago McQueen pras pistas de verdade
A volta de Carros ao cinema em outubro de 2026, pelos 20 anos da animação, é a prova de que a paixão pelo mundo automobilístico começa cedo e não passa. Quem cresceu torcendo pro Relâmpago McQueen ganhar a Copa Pistão, hoje, é o mesmo público que se emociona com a história de Ayrton Senna, vibra com a Ford versus a Ferrari em Le Mans e sente o cheiro de pneu queimado no desafio em Tóquio com seu drift. Nem o número do carro do McQueen é por acaso: o 95 é uma homenagem a 1995, ano de Toy Story, o primeiro longa da Pixar. Se você se reconheceu nessa lista, é bem provável que o motor dentro de você nunca tenha se desligado.







