Exit 8: terror claustrofóbico e angustiante inspirado em jogo japonês

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Murilo Martouza

Inspirado em um jogo japonês de sucesso, Exit 8 transforma corredores de metrô em um pesadelo claustrofóbico que me deixou tenso, hipnotizado e pensando sobre as escolhas da vida.

Imagem promocional do filme Exit 8, com uma repetição de um mesmo cenário através de um espelho. Os personagens aparecem em lugares diferentes em cada nova cada de repetição através do espelho.

O terror nem sempre precisa de monstros, sangue ou sustos repentinos pra me deixar apavorado. Às vezes, basta um corredor aparentemente infinito, luzes fluorescentes e a sensação de que tem alguma coisa muito errada acontecendo. É exatamente isso que Exit 8 (The Exit 8, 2025) faz, transformando um jogo japonês em uma experiência cinematográfica claustrofóbica e angustiante.

Dirigido por Genki Kawamura, o filme chegou aos cinemas e streamings em meio a uma onda de histórias sobre espaços liminares, aqueles lugares de transição que parecem familiares, mas provocam uma sensação estranha de vazio e desconexão. Como sou muito fã de terror e tenho adorado consumir histórias que exploram esse tipo de ambiente, embarquei nessa experiência de cabeça. E olha, não me arrependi!

Qual é a história do filme Exit 8?

Em Exit 8 acompanhamos um homem sem nome, interpretado por Kazunari Ninomiya, que tá no metrô de Tóquio quando recebe uma notícia inesperada da ex-namorada (Nana Komatsu). Desorientado e tentando lidar com os próprios problemas, ele acaba preso em um corredor subterrâneo que parece se repetir infinitamente. A única maneira de escapar é encontrar a Saída 8, seguindo uma regra bastante simples: observar tudo com atenção. Se encontrar alguma anomalia, precisa voltar imediatamente. Se não perceber nada de estranho, deve continuar caminhando.

O problema é que cada erro o manda de volta ao início, transformando uma tarefa aparentemente fácil em um pesadelo psicológico. Durante a jornada, ele cruza com o Homem que Caminha (Yamato Kochi), um menino (Naru Asanuma) e uma estudante do ensino médio (Kotone Hanase), enquanto tenta entender as regras daquele lugar e encontrar uma saída.

Exit 8: curiosidades sobre o filme e o jogo

O que são espaços liminares e por que eles causam tanto desconforto?

Espaços liminares são ambientes associados à transição entre dois lugares, estados ou momentos da vida. Um corredor, uma estação de metrô vazia, um shopping depois do expediente ou um hotel sem ninguém podem parecer cenários perfeitamente comuns. Ainda assim, quando aparecem vazios, repetitivos ou fora de contexto, provocam aquela sensação de familiaridade desconfortável, como se estivéssemos em um lugar que conhecemos, mas que não deveria estar daquele jeito.

O conceito também conversa com histórias sobre o desconhecido e o sobrenatural. No folclore da internet, por exemplo, a lenda de Sete Além fala de um lugar misterioso que existiria fora da realidade cotidiana, enquanto a ideia de umbral ou limbo aparece em diferentes tradições como um estado intermediário entre a vida, a morte e uma possível passagem pra outro plano.

Essas narrativas não são evidências de que tais lugares existam, mas exploram o medo de ficar preso em um espaço sem compreender suas regras. É esse desconforto que também aparece em histórias como Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms, 2026), nas quais ambientes comuns se transformam em labirintos aparentemente intermináveis.

O sucesso do jogo e a recepção do filme em Cannes

Antes de chegar aos cinemas, Exit 8 já era um sucesso nos videogames. Desenvolvido pelo estúdio independente japonês Kotake Create, o jogo The Exit 8 foi lançado pra PC em novembro de 2023. A proposta é simples: percorrer um corredor de metrô, observar possíveis anomalias e tomar a decisão certa pra chegar à saída. A popularidade cresceu com as transmissões de jogadores e criadores de conteúdo, que convidavam o público a procurar diferenças nos cenários. Em setembro de 2026, a desenvolvedora e a publicadora PLAYISM anunciaram que o jogo havia ultrapassado 3 milhões de cópias vendidas em todas as plataformas.

A adaptação cinematográfica estreou na sessão da meia-noite do Festival de Cannes de 2025 e foi ovacionada por aproximadamente 8 minutos após a exibição. Depois, o filme chegou aos cinemas japoneses e logo conquistou o público em outros mercados. Segundo os números compilados pelo Box Office Mojo, a arrecadação mundial ultrapassou US$ 43 milhões. A recepção crítica também foi positiva: no Rotten Tomatoes, o filme aparece com 92% de aprovação da crítica e 86% do público, nos dados consultados para esta matéria.

Genki Kawamura, os gatos e o livro Saída 8

Além de diretor e roteirista de cinema, Genki Kawamura é escritor de romances, com uma carreira que transita entre histórias dramáticas e emocionais e narrativas fantásticas envolvendo gatos. Um de seus livros publicados no Brasil é “Se os gatos desaparecessem do mundo”, lançado pela Bertrand Brasil, um romance sobre um carteiro que recebe um diagnóstico terminal e precisa refletir sobre o valor da vida, das relações e das pequenas coisas que fazem diferença no cotidiano. Curioso pra um diretor de filme de terror, né? (risos). E digo mais: a Editora Intrínseca vai lançar em 2 de dezembro de 2026 o livro de Saída 8, novelização do filme que leva a experiência dos corredores intermináveis pras páginas.

Exit 8 é tenso do começo ao fim e não dá um minuto de sossego

Cena do filme Exit 8, com um corredor vazio de metrô com iluminação fraca e uma placa indicando a saída 8, onde uma criança aparece sozinha ao fundo, criando uma atmosfera sombria e inquietante.

Com 1h35 de duração, Exit 8 é um filme curto, mas tem um roteiro competente e uma câmera dinâmica que me deixou hipnotizado diante da tela. A câmera acompanha o protagonista de um jeito que faz a gente sentir que tá caminhando ao lado dele, preso naquele mesmo corredor. Essa escolha manteve minha atenção o tempo todo, porque nunca sabia quando iria aparecer algo estranho ou quando um detalhe aparentemente insignificante viraria motivo de preocupação. O filme conseguiu me deixar tenso e angustiado sem precisar mostrar muita coisa.

Também gosto muito da atuação de Kazunari Ninomiya. Ele transmite o terror que tá sentindo de um jeito bastante convincente, principalmente quando começa a entrar em desespero e suas crises de asma tornam a situação ainda mais sufocante. Os corredores estreitos, a repetição dos cenários e a sensação de que não existe saída tornam tudo pior. Eu quase conseguia sentir a falta de ar junto dele, e isso é ótimo pra uma história que depende da imersão de quem tá assistindo.

O que mais me agrada, porém, é o conceito do filme. Adoro essa ideia de um não-lugar, quase um limbo, onde as pessoas acabam confrontadas com questões que tentam evitar na vida real. Por trás das anomalias e do terror psicológico, Exit 8 também constrói uma história sobre responsabilidade, empatia e amadurecimento. É quando o longa conecta o pesadelo do protagonista às escolhas que ele precisa fazer fora daquele corredor que a experiência fica mais bonita e ganha um significado que vai além dos sustos.

Pra mim, o único ponto negativo é que, em alguns momentos, o protagonista consegue ser muito distraído e até meio burro, especialmente depois de já ter demonstrado que entendeu como aquele espaço funciona. Teve hora que eu tive vontade de gritar com a tela e perguntar por que ele não estava prestando atenção direito. Ainda assim, esse incômodo não apaga os acertos da produção. Pra mim, Exit 8 é um excelente filme de terror, daqueles que conseguem transformar uma ideia simples em uma experiência angustiante e emocionalmente interessante.

Exit 8 vale a pena?

Sim, Exit 8 vale seu tempo. Principalmente se você gosta de filmes de terror que apostam na tensão psicológica, na atmosfera e na sensação de que alguma coisa tá errada, mesmo quando você não consegue explicar exatamente o quê. Exit 8 também funciona muito bem pra quem gosta de histórias esquisitas, de espaços liminares ou já conhece e é fã do jogo que inspirou o longa.

Se você curte produções como Backrooms, Cubo (Cube, 1998) e Viveiro (Vivarium, 2019), vale dar uma chance ao filme. Cada uma dessas histórias explora, à sua maneira, o desconforto de ficar preso em ambientes que parecem desafiar a lógica e as regras do mundo real.

Meu conselho antes de dar o play é: relaxe bastante, respire fundo e se prepare psicologicamente, porque Exit 8 não vai te dar um minuto de sossego!

Exit 8 | 2025 | Direção: Genki Kawamura | 1h35 | Classificação: 14+ | Onde assistir: Apple TV, Claro TV+, Google Play Filmes, Prime Video e YouTube (compra e aluguel)

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