Supergirl: um filme divertido que entrega o que promete

M

Murilo Martouza

Depois de roubar a cena em Superman, Kara Zor-El ganha um filme solo divertido, emocionante e honesto. Ele adapta Supergirl: Mulher do Amanhã sem tentar ser maior do que precisa.

Milly Alcock como Supergirl voando em direção à câmera, com o punho estendido, usando o uniforme da heroína diante do símbolo da Casa de El em vermelho, amarelo e azul.

Se você saiu de Superman (2025) curioso pra descobrir mais sobre a Kara Zor-El, pode ficar tranquilo: Supergirl (2026) entrega exatamente o que prometeu desde o primeiro teaser.

O novo capítulo do DCU, o universo compartilhado de filmes, séries, animações e jogos da DC Studios, comandado por James Gunn, adapta a aclamada HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, e faz isso sem tentar ser diferente do que apresentou inicialmente.

A personagem já tinha roubado a cena em sua breve participação em Superman, pela personalidade completamente diferente da do primo, Kal-El, e principalmente pela presença do seu pet sapeca, Krypto. Naturalmente, isso criou certa curiosidade sobre seu filme solo. Depois de assistir, saí da sessão com a sensação de que a DC acertou justamente por não tentar transformar Supergirl em um evento maior do que precisava ser.

Grande expectativa pra um filme que não prometeu grandes coisas

A participação da Supergirl em Superman gerou bastante conversa entre os fãs nas redes sociais, em forma de teorias, expectativas e comparações. Muita gente acabou imaginando um épico cósmico ou um filme que redefiniria completamente esse universo.

O curioso é que o próprio marketing do filme nunca vendeu essa ideia. Desde os primeiros materiais de divulgação, a proposta era bastante clara: uma aventura jovem, divertida e com uma jornada de amadurecimento pra Kara.

Antes mesmo da estreia, outra discussão tomou conta das redes sociais. Parte dos fãs homens começou a criticar a aparência de Milly Alcock como Supergirl, repetindo um comportamento que infelizmente já virou rotina quando mulheres assumem protagonismo em filmes de super-heróis. Muitas dessas críticas tinham um tom claramente misógino sobre o trabalho da atriz, que na real só entrega uma personagem cheia de personalidade, carisma e vulnerabilidade.

O que acontece em Supergirl

Depois de deixar Krypton ainda criança e carregar as marcas da destruição de seu planeta natal, Kara Zor-El (Milly Alcock) tenta encontrar seu lugar no universo. Durante sua jornada, ela conhece Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem determinada a encontrar o assassino de seu pai.

As duas embarcam em uma missão de vingança em busca do cruel Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), que envenenou seu pet. Também cruza com o imprevisível Lobo (Jason Momoa) e, em um momento especial para os fãs do novo DCU, até mesmo com o Superman (David Corenswet). Entre perseguições e batalhas, Kara acaba enfrentando não apenas seus inimigos, mas também os fantasmas do próprio passado.

Uma mistura de John Wick com superpoderes e muito coração

Milly Alcock como Supergirl, em pé com as mãos na cintura, usando o uniforme azul e vermelho da heroína diante do símbolo amarelo da Casa de El sobre um fundo azul.

Eu me diverti muito assistindo Supergirl. É um filme gostosinho, leve, que faz o tempo passar voando e que é super honesto. É praticamente uma versão feminina de John Wick: De Volta ao Jogo (2014) com superpoderes: uma super-heroína viajando pelo espaço atrás de vingança pelo seu cachorro, enfrentando vários inimigos em sequências de ação muito bem coreografadas e sempre acompanhada de boas doses de humor.

Mas reduzir o filme apenas à ação seria injusto. Existe um lado emocional bastante forte envolvendo Kara Zor-El e toda a culpa que ela ainda carrega por ter sobrevivido à destruição de Krypton e deixado seus pais e seu lar pra trás.

Em dois momentos específicos, eu fiquei muito perto de chorar e o mérito é todo da atuação da Milly Alcock. O roteiro consegue equilibrar bem esses sentimentos sem deixar a história pesada demais.

Outro destaque é o Lobo. Jason Momoa parece estar se divertindo o tempo inteiro, e isso transparece na tela. O personagem funciona como um excelente alívio cômico e rouba várias cenas sem tirar o protagonismo da Kara.

Um detalhe que me deixou ainda mais tranquilo foi conversar depois da sessão com meu melhor amigo, que já havia lido Supergirl: Mulher do Amanhã. Segundo ele, a adaptação respeita bastante o espírito da HQ. Claro que algumas mudanças acontecem, como em praticamente toda adaptação pro cinema, mas a essência da história continua ali. Se você gosta do quadrinho de Tom King e Bilquis Evely, acredito que pode assistir sem medo.

Vale seu tempo assistir Supergirl?

Supergirl vale a pena sim!

É um filme honesto, divertido e que nunca tenta ser maior do que realmente é. Ele mistura ação, comédia e um pouco de drama na medida certa, desenvolve bem sua protagonista e ainda fortalece o novo DCU sem depender de outros filmes do universo pra funcionar.

Se você entrar na sala esperando a aventura teen emocionante que os trailers mostraram, dificilmente vai sair decepcionado. Eu diria até que se você gostou de Shazam! (2019) e curte a franquia iniciada em Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), você pode curtir bastante Supergirl, porque a vibe dos filmes é similar.

Às vezes, tudo o que um filme precisa fazer é cumprir sua promessa inicial. E Supergirl faz exatamente isso, sem tirar nem pôr.

Supergirl | 2026 | Direção: Craig Gillespie | Duração: 2h 8min | Classificação: 12+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas

Últimos artigos