O Convite: a dramédia esquisita que te faz rir, mas também pode fazer chorar

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Murilo Martouza

Sem saber quase nada sobre O Convite, dei play e encontrei uma dramédia desconfortável, engraçada e surpreendentemente emocionante.

Joe (Seth Rogen), Angela (Olivia Wilde), Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) sentados na sala de estar conversando e sorrindo em cena do filme O Convite.

Eu não sabia nada sobre O Convite (The Invite, 2026) quando comecei a ouvir falar do filme, mesmo assim o elenco com Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton já tinha despertado meu interesse. Depois, comecei a ver amigos em quem confio na opinião falando muito bem do filme e percebi que talvez tivesse alguma coisa especial ali (e tinha mesmo!).

O filme chegou aos cinemas sem muito alarde e foi ganhando público no boca a boca. A própria Olivia Wilde comentou que a produção dependia desse tipo de divulgação, e a recepção em festivais já dava sinais de que o filme poderia conquistar o público. Dei play sem saber nada e terminei o filme arrebatado: O Convite já é um dos melhores filmes do ano pra mim.

Sobre o que é O Convite?

O filme acompanha Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que tá vivendo uma fase complicada do relacionamento. As coisas começam a ficar diferentes quando eles convidam os vizinhos do andar de cima, Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz), pra um jantar. O casal é muito diferente de Joe e Angela e a simples convivência entre os quatro começa a trazer diversas questões à tona. O que era pra ser uma noite tranquila rapidamente vira uma situação cada vez mais desconfortável, caótica e reveladora.

O Convite adapta Sentimental, filme espanhol de Cesc Gay 

Uma das primeiras coisas que reparei logo nos créditos iniciais do filme é que se trata de uma adaptação de outra obra. O Convite é uma adaptação norte-americana de Sentimental (The People Upstairs, 2020), filme espanhol escrito e dirigido por Cesc Gay.

Segundo a recepção da crítica, a nova versão tinha uma barra bem alta pra alcançar. Sentimental tem 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e recebeu elogios justamente pelo roteiro, pelo humor ácido e pelo trabalho do elenco. A nova versão não fez feio. O Convite chegou a 96% de aprovação da crítica e 89% do público no Rotten Tomatoes, além de aparecer entre as comédias mais bem avaliadas da plataforma em 2026. Ou seja, não se trata de apenas mais um remake que pegou uma boa ideia de outro país e levou pra Hollywood.

O desconforto de O Convite é o trunfo do filme 

Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) diante de uma situação inesperada no filme O Convite.

Eu realmente não tinha grandes expectativas pro filme, mas não deu outra: assisti e amei, virou um filme favorito do coração!

O começo do filme é mais tímido. A gente é jogado no meio de uma situação que não entende tão bem o motivo de estar acontecendo e vai descobrindo aos poucos o que existe por trás daquilo. O filme vai avançando e transita entre reações esquisitas dos personagens, situações constrangedoras e conversas cada vez mais desconfortáveis.

Nunca dá pra saber qual é a sensação que vem a seguir: em alguns momentos eu dava uma risadinha. Em outros, eu gargalhava alto. E também existem cenas com picos dramáticos que me pegaram completamente desprevenido, me emocionaram e quase me fizeram chorar. É uma mistura estranha, mas que funciona muito bem.

O Convite leva a gente pra várias direções e eu gostei de todas elas, mas olhando em retrospecto o filme é sobre algo muito mais próximo e comum: as relações amorosas e as relações humanas. A produção usa uma situação levemente exagerada pra falar de coisas que são muito mais comuns do que a gente gostaria de admitir.

O elenco e a trilha sonora te prendem à tela

As atuações foram o que mais prenderam meus olhos na tela durante o filme. Olivia Wilde, principalmente, tá com uma expressividade gritante. Angela faz caretas, sons e movimentos exagerados o tempo inteiro e isso combina com a intensidade das cenas e transmite pra gente aquele desconforto que o filme quer provocar.

Penélope Cruz tem um efeito quase hipnotizante. Tem alguma coisa na voz e no olhar dela que faz você prestar atenção em cada palavra que Piña diz. Ela consegue fazer a personagem parecer fascinante e estranha ao mesmo tempo, sem precisar transformar isso em uma caricatura.

E Edward Norton encontra uma calma muito esquisita em Hawk. Os trejeitos tranquilos, os gestos e até os gostos peculiares do personagem criam uma figura que parece completamente deslocada daquele ambiente, mas que ao mesmo tempo pertence ali. É o tipo de atuação que faz você querer continuar olhando só pra descobrir qual vai ser o próximo movimento do personagem.

Seth Rogen também funciona muito bem como contraponto a todo esse caos. Joe parece estar sempre a um passo de perder a paciência e a energia dele ajuda a deixar ainda mais evidente o abismo que existe entre os casais.

A trilha sonora também acerta muito. Ela ajuda a colocar a gente dentro daquela situação desconfortável e caótica, aumentando a sensação de que alguma coisa tá prestes a acontecer. E, quando você percebe, já tá tão preso naquele apartamento quanto os próprios personagens.

O Convite vale seu tempo?

Pode confiar: o filme vale muito a pena! Eu recomendo que você vá assistir sabendo o mínimo possível. Inclusive, tentei dar o mínimo de informações aqui justamente pra preservar um pouco da surpresa durante a sessão. Acho que quanto menos você souber sobre o que acontece na história, melhor.

É um filme perfeito pra você recomendar pra um amigo e ficar esperando uma mensagem de “meu Deus, o que foi isso?”. O clima pesa, sim, mas juro que é um peso muito mais gostoso do que ruim, porque vem acompanhado de muita risada e boa reflexão.

Também acho que existe uma mensagem aqui que pode ser boa pra quem precisa ouvir algumas coisas sobre relacionamentos, desejos, expectativas e a forma como a gente escolhe viver a própria vida. O filme não entrega respostas fáceis e eu acho que é por isso que ele aluga um triplex na cabeça depois que acaba.

Se você curte filmes com situações que parecem comuns até que os conflitos entre os personagens transformem tudo, como O Convite (The Invitation, 2015) e Morte, Morte, Morte (Bodies, Bodies, Bodies, 2022), pode gostar bastante desse. E, se gosta de dramédias que fazem humor a partir da tragédia e do desconforto, como Fleabag (2016) e Shiva Baby (2021), acho que vai adorar o filme.

Dê o play e veja por você mesmo!

O Convite | 2026 | Direção: Olivia Wilde | 1h 47min | Classificação: 16+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas e disponível para aluguel no Prime Video

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