5 animações pra quem quer conhecer o melhor da dublagem brasileira
De Shrek a A Nova Onda do Imperador, reunimos 5 animações que mostram como a dublagem brasileira pode deixar filmes ainda mais engraçados e memoráveis.

Existe uma polêmica quase eterna entre quem prefere assistir a filmes legendados e quem não abre mão da dublagem, mas basta dar uma chance às animações dubladas em português brasileiro pra perceber que o Brasil tem uma gama de profissionais muito talentosos na dublagem.
A dublagem brasileira não se limita a traduzir diálogos. Quando funciona de verdade, adapta piadas, referências e até o jeito de falar dos personagens pra que a experiência faça sentido por aqui. Em alguns casos, o resultado fica tão bom que é difícil imaginar determinados personagens com outra voz.
5 animações dubladas que mostram por que a dublagem brasileira vale tanto
Os 5 filmes da lista abaixo são muito bons e dá pra assistir com qualquer companhia. Crianças, adultos, quem já conhece os clássicos e até quem costuma torcer o nariz pra filme dublado encontram aqui bons motivos pra dar uma chance à versão brasileira. Em todos eles, a dublagem ajuda bastante na experiência, principalmente quando o humor depende de ritmo, personalidade e adaptação cultural.
A Nova Onda do Imperador (2000)

A Nova Onda do Imperador (The Emperor's New Groove, 2000) acompanha Kuzco (Selton Mello), um imperador mimado que só pensa em si mesmo e pretende construir um parque no lugar da casa de Pacha (Humberto Martins), um camponês que vive nos arredores do palácio. Antes que consiga colocar o plano em prática, Kuzco é transformado em lhama pela própria conselheira, Yzma (Marieta Severo), que pretende tomar o poder.
Sem outra alternativa, Kuzco precisa contar justamente com a ajuda de Pacha pra recuperar a forma humana e voltar ao trono. No caminho, os dois ainda precisam lidar com os planos de Yzma e com a presença de Kronk (Guilherme Briggs), seu assistente que não é tão competente quanto ela gostaria.
Aqui não existe discussão: a dublagem brasileira é o grande motivo pra (re)ver o filme. Selton Mello encontra o tom perfeito pro ego gigantesco de Kuzco, enquanto Marieta Severo transforma Yzma em uma máquina de produzir frases e reações engraçadas. Humberto Martins equilibra a dupla com Selton Mello e Guilherme Briggs faz de Kronk um dos personagens mais memoráveis do filme.
A Nova Onda do Imperador | 2000 | Direção: Mark Dindal | 1h 18min | Classificação: Livre | Onde assistir: Disney+
Shrek (2001)

Shrek (2001) acompanha o ogro que dá nome ao filme, um sujeito que só quer viver tranquilamente em seu pântano. O problema é que Lord Farquaad (Cláudio Galvan) expulsa várias criaturas de contos de fadas de suas terras e elas acabam invadindo justamente a casa de Shrek (Bussunda). Pra recuperar sua paz, o ogro aceita uma missão: resgatar a princesa Fiona (Fernanda Crispim), mantida em uma torre protegida por um dragão.
No caminho, Shrek ganha a companhia do Burro (Mário Jorge Andrade), que fala sem parar e rapidamente se torna seu parceiro de aventura. A missão parece simples, mas a viagem até o castelo acaba colocando os dois no meio de uma história de amor que brinca com praticamente tudo o que os contos de fadas ensinaram sobre princesas, heróis e finais felizes.
Bussunda praticamente transforma Shrek em um personagem brasileiro. O humor, a personalidade e o jeito de falar fazem a versão nacional parecer menos uma simples tradução e mais uma adaptação pensada pro nosso público. Mário Jorge Andrade também está excelente como Burro, virando ícone da cultura pop com o seu “a gente já chegou?”, enquanto Fernanda Crispim, com suas falas de princesa moleca, e Cláudio Galvan, com seu tom perfeito pros delírios de grandeza de Lord Farquaad, completam um elenco que deixa cada diálogo mais divertido.
Shrek | 2001 | Direção: Andrew Adamson e Vicky Jenson | 1h 30min | Classificação: Livre | Onde assistir: Apple TV, Disney+, Prime Video, Telecine
Procurando Nemo (2003)

Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) acompanha Marlin (Júlio Chaves), um peixe-palhaço extremamente protetor que precisa atravessar o oceano depois que seu filho, Nemo (Gustavo Pereira), é capturado por um mergulhador. Durante a busca, conhece Dory (Maíra Góes), uma peixe-cirurgião que tem problemas de memória, mas acaba se tornando uma companhia essencial pra missão.
Enquanto Marlin e Dory enfrentam tubarões, águas-vivas e outros perigos do oceano, Nemo vive sua própria aventura dentro de um aquário. O encontro dessas duas histórias transforma uma simples busca por um filho em uma aventura sobre família, medo e confiança.
O que mais chama atenção na dublagem é a maneira como o humor foi localizado. Dory já é engraçada na versão original, mas Maíra Góes encontra um ritmo próprio pra personagem, principalmente nas cenas em que a memória dela falha. Aqui entra um dos grandes exemplos de adaptação brasileira: Crush (Cláudio Galvan) falando com aquele sotaque de surfista carioca. É uma escolha tão natural dentro do filme que fica difícil imaginar a cena de outra maneira e em outro idioma. Até a brincadeira com a língua das baleias ganha uma graça especial em português.
Procurando Nemo | 2003 | Direção: Andrew Stanton | 1h 40min | Classificação: Livre | Onde assistir: Disney+
Monstros S.A. (2001)

Monstros S.A. (Monsters, Inc., 2001) apresenta Sulley (Mauro Ramos) e Mike Wazowski (Sérgio Stern), dois monstros que trabalham em uma fábrica responsável por produzir energia a partir dos gritos de crianças humanas. Em Monstrópolis, existe uma crença bastante séria de que crianças são perigosíssimas e que qualquer contato com elas pode ser desastroso.
Só que tudo muda quando Boo (Ana Elena Bittencourt) consegue entrar no mundo dos monstros. Sulley e Mike precisam esconder a menina enquanto tentam descobrir como mandá-la de volta pra casa. O problema é que Randall (Márcio Simões) está disposto a fazer qualquer coisa pra recuperar o controle da situação.
Sérgio Stern como Mike Wazowski é daqueles casos em que a voz brasileira encaixa perfeitamente com o personagem. O sarcasmo, a irritação constante e a velocidade das falas combinam demais com o personagem. Mauro Ramos também encontra um Sulley carismático e amigável, e Ana Elena Bittencourt faz a Boo funcionar mesmo apenas com choros, risadas e falas ininteligíveis de criança. Algumas escolhas de localização, como o famoso “zoiudim da mamãe” e “manda esse treco de volta senão o bicho pega”, mostram como a dublagem consegue acrescentar uma camada de humor que pertence especificamente ao povo brasileiro.
Monstros S.A. | 2001 | Direção: Pete Docter e Lee Unkrich | 1h 32min | Classificação: Livre | Onde assistir: Disney+
Rio (2011)

Rio (2011) acompanha Blu (Gustavo Pereira), uma arara-azul que cresceu domesticada nos Estados Unidos e nunca aprendeu a voar. Quando descobre que pode ser o último macho de sua espécie, viaja com sua tutora Linda (Sylvia Salustti na versão adulta e Pamella Rodrigues na versão jovem) até o Rio de Janeiro pra encontrar Jade (Adriana Torres nas falas e Jullie nas músicas), uma fêmea que pode ajudar na preservação da espécie.
O encontro não sai exatamente como planejado. Blu e Jade acabam capturados por traficantes de animais e precisam escapar enquanto atravessam diferentes pontos da cidade. No caminho, ainda contam com a ajuda do cardeal funkeiro, Pedro (Mauro Ramos), e do buldogue Luis (Júlio Chaves), enquanto Blu precisa descobrir se consegue finalmente deixar o medo de voar pra trás.
Rio é um caso diferente dos outros filmes da lista, porque a localização cultural brasileira está no centro da própria história. A dublagem aproveita sotaques, expressões, humor e, principalmente, a musicalidade carioca pra deixar a aventura muito mais próxima de quem conhece o Rio de Janeiro. Gustavo Pereira, Adriana Torres e Jullie funcionam muito bem como Blu e Jade, enquanto Mauro Ramos e Júlio Chaves dão aos personagens secundários uma energia que combina perfeitamente com o tom da animação e com o tom do brasileiro.
Rio | 2011 | Direção: Carlos Saldanha | 1h 36min | Classificação: Livre | Onde assistir: Disney+
Pra conhecer a dublagem brasileira, comece por qualquer um desses
Se ainda não assistiu a algum desses filmes, fica a sugestão: escolhe qualquer um, coloca a versão dublada em português brasileiro e dá o play. São animações que já funcionam muito bem por conta própria, mas ganham uma camada extra quando o humor, as vozes e as referências conversam diretamente com a nossa língua.
Assim fica fácil entender por que a discussão entre assistir a filmes legendados ou dublados não precisa virar uma guerra. Em casos como esses, a dublagem não tira nada da experiência. Pelo contrário, pode transformar uma cena boa em uma cena que fica na memória por anos.







