A Última Casa: ideias interessantes, mas um sci-fi que divide opiniões

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Murilo Martouza

A Última Casa traz Wagner Moura em um sci-fi blockbuster da Netflix com criaturas assustadoras e problemas que podem afastar parte do público.

Cena do filme A Última Casa, com Jason (Wagner Moura), Ann (Greta Lee), Ruth (Riley Chung) e Graham (Noah Alexander Sosnowski) reunidos na sala de estar da casa enquanto observam, assustados, uma ameaça do lado de fora.

Com uma trajetória internacional cada vez mais evidente, Wagner Moura foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por O Agente Secreto (2025), tornando-se o primeiro brasileiro a disputar a categoria.

E agora ele está de volta em A Última Casa (The Last House, 2026), novo blockbuster de ficção científica da Netflix, ao lado de Greta Lee.

Fui com sede e muita curiosidade ao pote, não só pela proposta de ficção científica e suspense, mas principalmente por ser o primeiro projeto do ator após o sucesso de O Agente Secreto. O problema é que expectativa demais é quase sempre uma receita pra frustração. Ela talvez seja uma das coisas que mais atrapalham nossas experiências com qualquer tipo de arte. 

Felizmente, eu ouvi alguns comentários negativos sobre o filme que abaixaram as minhas expectativas e isso transformou a minha experiência em algo melhor.

Qual é a história de A Última Casa?

A história do filme acompanha Jason (Wagner Moura), Ann (Greta Lee) e os filhos Ruth (Riley Chung) e Graham (Noah Alexander Sosnowski), uma família que, de uma hora pra outra, descobre que está misteriosamente presa dentro da própria casa. Não existe uma saída possível e, enquanto os recursos começam a acabar, uma ameaça desconhecida do lado de fora transforma o lugar que deveria ser um refúgio em uma armadilha.

A partir daí, a família precisa descobrir como sobreviver enquanto tenta entender o que tá acontecendo. E é justamente aí que o filme começa a brincar com ideias de ficção científica, isolamento, sobrevivência e medo do desconhecido.

O filme tem boas ideias, mas tropeça no roteiro e na execução 

Cena do filme A Última Casa, com Jason (Wagner Moura), Ann (Greta Lee), Ruth (Riley Chung) e Graham (Noah Alexander Sosnowski) diante de uma janela embaçada, presos dentro de casa e apreensivos com o que acontece do lado de fora.

Ao contrário do que eu mais tenho ouvido falar do filme por aí, não acho que A Última Casa é completamente ruim. Por outro lado, também não acho que ele seja completamente bom. E essa é justamente a grande questão: é um filme cheio de ideias interessantes, mas que não sabe muito bem como colocar tudo na tela.

O início da trama é acelerado de um jeito que é desnecessário. Algumas coisas acontecem tão rapidamente que a história acaba soando menos real do que deveria. Isso também aparece em alguns diálogos e comportamentos dos personagens, que às vezes são tão esquisitos que me fez pensar que aquilo não pareceria natural pra nenhum ser humano que já tivesse conversado com outro na vida.

Apesar disso, eu não consigo comprar completamente a ideia de que A Última Casa é um desastre. Porque existe algo que me manteve interessado até o final: as ideias discutidas no filme.

A premissa é boa e o desenrolar da história traz algumas possibilidades muito interessantes pra ficção científica. Mesmo quando o roteiro toma decisões questionáveis, eu continuei curioso pra descobrir onde aquilo tudo iria chegar. Em alguns momentos mais críticos, eu me peguei genuinamente torcendo pelos personagens, o que já diz bastante sobre o quanto o filme conseguiu me envolver apesar de seus problemas.

As criaturas também merecem bastante destaque.

O visual delas é aterrorizante e a maneira como o filme apresenta essas ameaças funciona muito bem. Existe uma sensação de mistério em torno delas que me deixou querendo saber mais sobre esse universo, tanto que terminei o filme pensando que gostaria de ver uma continuação, porque existe ali um material que poderia render algo muito maior e até melhor.

A Última Casa vale seu tempo?

Não acho que A Última Casa seja um filme imperdível, mas também tá muito longe de ser a pior coisa que você vai assistir na sua vida.

Se você conseguir baixar um pouco as expectativas e embarcar nessa história de mente aberta, acho que existe uma boa chance de ter uma experiência minimamente positiva. O filme tem problemas bem claros, principalmente no roteiro e na forma como algumas situações são construídas, mas também tem ideias que eu gostaria de ver sendo exploradas com mais calma.

Nas mãos do roteirista e diretor certos, eu acho que esse universo poderia render uma franquia de bastante sucesso. Existe potencial nas criaturas, na premissa e nas possibilidades que a história apresenta. Quem sabe uma sequência não consegue ajustar algumas dessas falhas, hein?

Então, meu veredito é: não vá esperando o próximo grande clássico da ficção científica, mas também não precisa fugir correndo. Se você gosta da tensão e ação de Guerra dos Mundos (War Of The Worlds, 2005) e do mistério de A Vila (The Village, 2004), dê o play com as expectativas no chão e depois me conta o que achou.

A Última Casa | 2026 | Direção: Louis Leterrier | 1h 52min | Classificação: 14+ | Onde assistir: Netflix

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