Os 3 filmes mais emblemáticos do Godzilla

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Matheus Magalhães

Do clássico de 1954 a Godzilla Minus One: conheça os 3 filmes mais emblemáticos do Godzilla pra ver antes de Godzilla Minus Zero chegar aos cinemas em novembro

Godzilla (Godzilla, 1954), Godzilla e Kong (Godzilla vs. Kong) e Godzilla (Godzilla Minus One)

Tem monstro que aparece, destrói uma cidade e some. E tem o Godzilla. Desde 1954, ele já esmagou Tóquio, encarou o King Kong, ganhou versões americanas e ainda levou um Oscar pra casa em 2024. Poucos personagens do cinema atravessaram tanto tempo e continuaram tão grandes, em todos os sentidos.

A hora de reencontrar o Rei dos Monstros chegou: Godzilla Minus Zero (2026) estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro. Pra entrar no clima e já começar a maratonar, separamos os 3 filmes mais emblemáticos do Godzilla: o original de (1954), que começou tudo; a pancadaria de Godzilla vs. Kong (2021); e Godzilla Minus One (2023), o filme que abriu o caminho pra essa nova estreia. Tem clássico, tem drama e tem monstro caindo no soco.

Godzilla Minus Zero: o que esperar do novo filme

Godzilla rugindo de cabeça erguida, no meio de uma tempestade com raios, cercado de destroços e pedaços de prédios voando pelo ar, em Godzilla Minus Zero

Godzilla Minus Zero é a continuação direta de Godzilla Minus One. A história se passa em 1949, dois anos depois do primeiro filme. O Japão ainda tenta se reconstruir quando uma nova ameaça aparece. É aí que o Godzilla volta, ainda mais poderoso do que antes. Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki) quer voltar a pilotar, mesmo sabendo do risco pra família. Como a história continua exatamente de onde a primeira parou, é preciso ter assistido Godzilla Minus One antes de ir ao cinema.

Por trás das câmeras, a receita que levou Minus One ao Oscar se repete: Takashi Yamazaki dirige, escreve o roteiro e ainda supervisiona os efeitos visuais. Boa parte do elenco também está de volta, incluindo Ryunosuke Kamiki e Minami Hamabe. Vale lembrar que a estreia mundial já aconteceu no Festival de Cinema de Nova York, em setembro.

Diferente do primeiro e de outros filmes do Japão, essa é a primeira produção japonesa filmada pra IMAX. Com certeza, é um convite pra ver o Godzilla do tamanho que ele merece.

Godzilla Minus Zero | 2026 | Direção: Takashi Yamazaki | Onde assistir: nos cinemas, a partir de 5 de novembro

Como o Rei dos Monstros atravessou mais de 70 anos

Godzilla, a guerra e a bomba: o que o monstro representa

O Godzilla nunca foi só um monstro. Em 1954, menos de dez anos depois de Hiroshima e Nagasaki, ele chegou às telas como uma bomba atômica de carne e osso. A pele áspera do monstro foi pensada pra lembrar as cicatrizes de queloide que marcaram o corpo dos sobreviventes das bombas. A cabeça, vista de certos ângulos, imitava o formato de um cogumelo atômico.

A própria ideia do monstro nasceu de um caso real. Em março de 1954, os Estados Unidos testaram uma bomba de hidrogênio nas Ilhas Marshall, no Pacífico. A explosão foi bem maior do que o previsto e atingiu um barco de pesca japonês, o Daigo Fukuryu Maru, que estava por perto. Os pescadores foram contaminados pela radiação. Um deles morreu meses depois. O produtor Tomoyuki Tanaka teria pensado no Godzilla justamente na volta pro Japão, imaginando os efeitos daquele teste.

O som também conta essa história. O Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial, dos Estados Unidos, lembra que os passos e o rugido do monstro imitam explosões e sirenes de ataque aéreo. O fogo que ele espalha por Tóquio remete aos bombardeios que destruíram cidades japonesas durante a guerra. Não por acaso, o diretor Ishirō Honda tinha lutado na guerra e chegou a ser prisioneiro antes da rendição do Japão.

Quase 70 anos depois, Godzilla Minus One voltou a essa ferida, agora pelo olhar de quem sobreviveu à guerra. O mesmo museu lembra que 65% das casas de Tóquio foram destruídas no conflito. É nesse cenário de ruínas que o monstro reaparece.

Godzilla e a sua relação com o termo kaiju

Kaiju é uma palavra japonesa que quer dizer algo como "besta estranha". Antes do cinema, ela já servia pra falar de criaturas fantásticas das lendas do Japão. Com o tempo, virou o nome de um gênero inteiro: o dos monstros gigantes que ameaçam a humanidade e põem cidades abaixo. Hoje, ele está nos filmes e nas séries com efeitos especiais, os chamados tokusatsu, como Ultraman (1966). Você também encontra o gênero nos animes, como Kaiju No. 8 (2024).

Aliás, foi o Godzilla quem transformou essa palavra em gênero. O filme de 1954, de Ishirō Honda e do mestre dos efeitos especiais Eiji Tsuburaya, é considerado o primeiro filme kaiju e até hoje o maior símbolo do estilo. Por isso, todos os kaijus que vieram depois carregam um pouco do DNA dele. 

Do Japão a Hollywood

O curioso é que o Godzilla também nasceu de uma inspiração americana: King Kong (1933) foi uma das grandes referências pra criação do monstro. Algum tempo se passou e os dois se encontraram em King Kong vs. Godzilla (1962), num duelo que Hollywood repetiria quase 60 anos depois.

De lá pra cá, foram quase 40 longas-metragens, a maioria feita pelo estúdio japonês Toho, além de três filmes em animação. Hollywood também quis o monstro, primeiro com Godzilla (1998) e depois com Godzilla (2014), o filme que deu início ao MonsterVerse. A palavra kaiju, que os fãs já usavam há décadas, só caiu de vez no vocabulário do público ocidental com Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013), de Guillermo del Toro.

Foi assim que um monstro criado pra falar da dor de um país virou um ícone do mundo inteiro. Com tanta coisa pra assistir, fica difícil saber por onde começar. Por isso, separamos os 3 filmes que, pra nós, melhor mostram cada lado do Rei dos Monstros: o clássico, o blockbuster e a releitura moderna.

1. Godzilla (Gojira, 1954)

Godzilla em preto e branco, segurando um avião, diante de tanques e canhões apontados para ele, com a cidade ao fundo, em O Monstro do Oceano Pacífico (Godzilla, 1954)

Lançado no Brasil como O Monstro do Oceano Pacífico, o filme começa com barcos de pesca desaparecendo no meio de um clarão no mar. Logo, o Japão descobre o motivo: uma criatura pré-histórica, acordada pelos testes de bombas atômicas, avança em direção a Tóquio.

Dirigido por Ishirō Honda, do estúdio Toho, o filme nasceu do caso do barco Daigo Fukuryu Maru, que contamos lá em cima. Não é à toa que o monstro vem do mar, o mesmo onde aqueles pescadores foram atingidos pela radiação. Até o nome carrega essa mistura de terra e oceano: Gojira junta as palavras japonesas pra gorila e baleia.

Quando olhamos pro Godzilla de 1954, entendemos que ele está muito longe de ser só um filminho de monstro gigante destruindo cidade. É o marco zero absoluto e uma obra-prima que mostra como nasceu o gênero kaiju. O bicho-papão do Japão não surgiu do nada: é a metáfora mais visceral e sombria possível do que o país sofreu com as bombas atômicas.

Pra nós, assistir àquele filme em preto e branco, cru, com clima de terror pesado e maquetes cheias de detalhes, é perceber como o monstro é tratado como uma força da natureza e como fruto da irresponsabilidade humana com as armas nucleares. Funciona pra quem quer conhecer a origem do Godzilla e gosta de clássicos com uma mensagem forte.

O Monstro do Oceano Pacífico (Gojira) | 1954 | Direção: Ishirō Honda | Onde assistir: MUBI, Looke e NetMovies (grátis, com anúncios)

2. Godzilla vs. Kong (2021)

Godzilla e Kong lutando em cima de um porta-aviões no meio do mar, cercados de fogo e fumaça, em Godzilla vs. Kong

Depois de um ataque inesperado do Godzilla, uma equipe leva o Kong numa viagem perigosa em busca do verdadeiro lar dele, no centro da Terra. Entre os humanos estão a antropóloga Ilene Andrews (Rebecca Hall), o geólogo Nathan Lind (Alexander Skarsgård) e Madison Russell (Millie Bobby Brown). No caminho, os dois titãs se encontram. Pronto: o planeta vira um ringue.

Dirigido por Adam Wingard, é o quarto filme do MonsterVerse. Nos Estados Unidos, estreou nos cinemas e no HBO Max no mesmo dia, em plena pandemia. Mesmo assim, arrecadou cerca de US$ 468 milhões no mundo todo.

Em Godzilla vs. Kong, ninguém está procurando um drama cabeça como o primeiro filme do Godzilla. É a boa e velha ação, o bom e velho entretenimento americano, num ritmo que não desacelera. Vemos os dois ícones do gênero kaiju se enfrentando e também lutando juntos. Os humanos ficam um pouco de lado, o que é natural: o protagonismo absoluto é dos titãs, presenças cheias de imponência e peso que carregam a trama de ponta a ponta.

Nós nos divertimos à beça com a estética cheia de cores neon vibrantes e com os combates colossais, em cenários urbanos e debaixo d'água. As lutas no meio da cidade lembram até Power Rangers (Mighty Morphin Power Rangers, 1993). O que mais nos pega é o filme abraçar, sem vergonha nenhuma, a pancadaria entre duas lendas, transformando a tela num parque de diversões pra quem é fã. Kong e Godzilla têm tanto carisma e expressão que a gente torce por eles como se fossem lutadores de MMA ou o próprio Rocky Balboa (Sylvester Stallone), de Rocky, um Lutador (Rocky, 1976).

Na nossa opinião, foi com o MonsterVerse que essa brincadeira provou que um universo compartilhado de monstros podia funcionar em grande escala. É um ótimo filme pra quem adora pancadaria e o gênerokaiju.

Godzilla vs. Kong | 2021 | Direção: Adam Wingard | Onde assistir: HBO Max

3. Godzilla Minus One (Gojira -1.0, 2023)

Godzilla com as costas cheias de espinhos, no meio de uma cidade em ruínas, cercado de destroços e faíscas, em Godzilla Minus One

No fim da Segunda Guerra Mundial, Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki) é um piloto kamikaze que não cumpriu a missão. De volta a uma Tóquio destruída, ele tenta reconstruir a vida enquanto carrega a culpa e o trauma de um primeiro encontro com o Godzilla. Quando o monstro reaparece na costa do Japão, Koichi vê uma chance de se redimir.

O filme custou cerca de US$ 15 milhões, arrecadou mais de US$ 100 milhões no mundo todo e foi o primeiro da franquia a ganhar um Oscar, o de Melhores Efeitos Visuais. Com isso, Takashi Yamazaki virou o primeiro diretor a levar esse prêmio desde Stanley Kubrick, por 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968).

Quando assistimos Godzilla Minus One, percebemos na hora que estamos diante de uma obra-prima. Não é só um lagarto gigante que destrói tudo. Aqui, quem mais brilha são os personagens humanos e o que eles carregam da guerra: o Japão logo depois da derrota, a fome, o desespero e a destruição de Tóquio. O Godzilla está lá, claro, mas divide o protagonismo com essas pessoas e traz muita ação e tensão a uma história de redenção. É um país derrotado que precisa enfrentar mais uma força da natureza pra conseguir se manter de pé.

O cuidado com a época também impressiona. Das roupas às casas improvisadas no meio dos escombros, tudo ajuda a mergulhar no Japão do pós-guerra. Mais do que um cenário bonito, o filme mostra a cultura de um povo tentando se reerguer, com famílias que se formam no improviso, como a que Koichi monta com Noriko (Minami Hamabe) e a pequena Akiko, uma bebê que eles acolhem.

As críticas à guerra também ganham espaço. Koichi carrega a vergonha de ter sobrevivido como kamikaze, num país que tratava a morte em combate como dever. É uma ideia de honra que vem de longe, dos samurais e do seppuku, o ritual em que o guerreiro tirava a própria vida pra não viver com a desonra. Pra Koichi, ter voltado vivo pesa como uma derrota. Pra nós, é através dele que o filme questiona o preço que a guerra cobrou do próprio povo japonês, deixando no lugar do heroísmo o cansaço e a tristeza de uma geração inteira. O Godzilla, nesse contexto, é mais uma conta da guerra chegando pra ser paga.

O filme traz com perfeição a essência do clássico de 1954, mas com um requinte a mais de tecnologia e um CGI muito bom. Um filme que já nasceu clássico. Funciona pra quem quer um filme cabeça, com drama e redenção, sem perder a chance de ver uma bela luta dekaiju. E, se você pretende ver Godzilla Minus Zero nos cinemas, assistir esse aqui antes é obrigatório.

Se você quer saber mais sobre esse filme, temos uma análise completa sobre Godzilla Minus One.

https://www.ahshow.tv/reviews/godzilla-minus-one

Godzilla Minus One (Gojira -1.0) | 2023 | Direção: Takashi Yamazaki | Onde assistir: Netflix

Por onde começar a maratona do Godzilla

Se você gosta de clássicos com mensagem forte, comece pelo Godzilla de 1954 e veja onde tudo nasceu. Se a ideia é desligar a cabeça e curtir pancadaria, Godzilla vs. Kong resolve. E, se você quer drama, emoção e uma luta de kaiju de primeira, Godzilla Minus One é a escolha certa.

Se você terminou Minus One querendo mais, não precisa esperar muito: a história de Koichi continua em Godzilla Minus Zero, que estreia nos cinemas em 5 de novembro. Se Minus One já impressionou na TV, imagina o Godzilla na tela grande.

Perguntas Frequentes

Preciso assistir Godzilla Minus One antes de Godzilla Minus Zero?
Sim. Godzilla Minus Zero é a continuação direta de Minus One e retoma a história de Koichi Shikishima exatamente de onde ela parou. Sem ver o primeiro, muita coisa do novo filme perde o sentido.
Quando Godzilla Minus Zero estreia no Brasil?
Godzilla Minus Zero chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro de 2026. É a primeira produção japonesa filmada pra IMAX, então vale procurar uma sala com tela grande.
Onde assistir aos filmes do Godzilla?
O Godzilla de 1954, lançado no Brasil como O Monstro do Oceano Pacífico, está no MUBI, no Looke e no NetMovies, que é grátis com anúncios. Godzilla vs. Kong está no HBO Max. Godzilla Minus One está na Netflix.
O que significa kaiju?
Kaiju é uma palavra japonesa que quer dizer algo como “besta estranha”. Hoje ela dá nome ao gênero dos monstros gigantes que ameaçam a humanidade e destroem cidades. O Godzilla de 1954 é considerado o primeiro filme do gênero.
O que o Godzilla representa?
O Godzilla nasceu como uma metáfora da bomba atômica. Ele chegou aos cinemas em 1954, menos de dez anos depois de Hiroshima e Nagasaki. A ideia do monstro veio de um caso real do mesmo ano: um barco de pesca japonês foi atingido pela radiação de um teste de bomba de hidrogênio dos Estados Unidos no Pacífico.

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