5 histórias de política e distopia pra refletir
As histórias de distopia refletem a realidade em que vivemos por ter se tornado um contraponto das utopias. É quase como se fossem proféticos, por isso, conversam muito com a política daquele universo e vale muito para refletir.

Você gosta de histórias em que o vilão não é apenas uma pessoa, mas o próprio sistema? É sobre isso que as distopias falam. O gênero nasceu em contraponto às “Utopias”, em vez de apresentarem mundos perfeitos, essas histórias mostram um mundo onde o governo, uma empresa ou a tecnologia passou a controlar a vida das pessoas, quase sempre em nome da ordem, da liberdade ou da sobrevivência.
Então, separamos 5 histórias de política e distopia que usam arenas, simulações, labirintos e até um robozinho pra falar sobre poder, desigualdade e controle.

1. Jogos Vorazes (2012)
Em Jogos Vorazes, o país de Panem obriga seus 12 distritos a enviar dois jovens por ano pra uma arena onde só um pode sair vivo. A competição é transmitida ao vivo, com apresentador, figurino e patrocinadores. Quando a irmã mais nova de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é sorteada, Katniss se oferece pra ir no lugar dela e passa a representar o Distrito 12 ao lado de Peeta (Josh Hutcherson).
Dirigido por Gary Ross e baseado no livro de Suzanne Collins, o filme mostra como a Capital usa o espetáculo pra manter a população sob controle. O próprio nome Panem vem da expressão latina panem et circenses, o famoso "pão e circo": enquanto os distritos passam fome, a Capital assiste aos jogos como quem acompanha um reality show.
Antes mesmo de entrar na arena, Katniss percebe que, pra sobreviver, precisa agradar quem está assistindo. Ela muda o comportamento, começa a sorrir nas entrevistas, aceita a história de romance criada em torno dela e entende, de uma forma cruel, que a imagem pode valer tanto quanto uma flecha dentro dos Jogos. É aí que pequenos gestos começam a ganhar um peso político que a Capital não consegue controlar.
Pra quem gosta de histórias de sobrevivência, críticas à mídia e personagens que desafiam o sistema, Jogos Vorazes é uma boa escolha. E o momento é ótimo pra rever, já que Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita (2026) chega aos cinemas em 19 de novembro.
Jogos Vorazes | 2012 | Direção: Gary Ross | 2h 22min | Classificação: 14 anos | Onde assistir: Amazon Prime

2. Matrix (1999)
Em Matrix, Thomas Anderson (Keanu Reeves) trabalha como programador durante o dia e, à noite, vive como hacker sob o nome de Neo. Ele tem a sensação de que existe algo errado com o mundo, mas não consegue explicar o quê. Até que Morpheus (Laurence Fishburne), um homem procurado pelas autoridades, oferece a ele duas pílulas: a azul devolve Neo à vida de sempre, e a vermelha mostra a verdade.
Escrito e dirigido por Lana e Lilly Wachowski, o filme parte de uma pergunta simples: e se tudo o que você vê, toca e sente não fosse exatamente o que parece? A partir dela, a história fala de controle, liberdade e do preço de enxergar o que estava escondido.
Ao longo do filme, fica claro que saber a verdade tem um preço, e nem todo personagem está disposto a pagar. Alguns começam a sentir falta da vida que tinham antes. Essa dúvida ajuda a entender por que muita gente prefere não questionar o sistema em que vive.
Se você gosta de ficção científica, filosofia e cenas de ação que mudaram o cinema, Matrix é obrigatório. E se ainda não assistiu, tente fugir de resumos e memes, porque sinceramente, o filme funciona muito melhor quando você descobre as coisas junto do Neo.
Matrix | 1999 | Direção: Lana e Lilly Wachowski | 2h 16min | Classificação: 12 anos | Onde assistir: Amazon Prime

3. Maze Runner (2014)
Em Maze Runner, Thomas (Dylan O'Brien) acorda dentro de um elevador sem lembrar de nada além do próprio nome. Ele chega à Clareira, um campo cercado por muros gigantes onde vários garotos vivem com regras próprias e funções bem divididas. Todos os dias, uma passagem se abre pra um labirinto, e quem não volta antes de ela fechar à noite não sobrevive.
Baseado no livro de James Dashner, o filme de Wes Ball começa como uma história de sobrevivência e aos poucos levanta a pergunta que ninguém na Clareira consegue responder: quem colocou eles ali, e por quê?
Pra continuarem vivos, os garotos montaram uma pequena sociedade. Existem líderes, divisão de trabalho, regras que ninguém pode quebrar e punições pra quem desobedece. Quando Thomas chega fazendo perguntas e querendo entrar no labirinto, ele vira uma ameaça pra ordem do grupo.
E a situação fica ainda mais estranha quando, logo depois dele, o elevador traz pela primeira vez uma garota, Teresa (Kaya Scodelario). A partir daí, Thomas decide entrar no labirinto pra seguir Minho (Ki Hong-Lee), um dos corredores que mapeia o labirinto, porque ele está machucado e não consegue voltar antes do labirinto se fechar.
Maze Runner também aborda vários temas ambientais, principalmente, porque os adolescentes aprendem a respeitar a natureza ao seu redor sem interferência da tecnologia. Eles se acomodaram naquele lugar porque todo mês chegavam suprimentos que garantiam a sobrevivência do grupo. Mas, no fundo, o que eles precisavam mesmo pra entender a situação em que estavam, era o questionamento que vinha através de Thomas.
Mistério, ação e personagens que descobrem a verdade junto do público: se essa combinação te agrada, Maze Runner é uma boa escolha. Ah, e se você gostar, ainda tem outros dois filmes da série pra continuar a maratona.
Maze Runner: Correr ou Morrer | 2014 | Direção: Wes Ball | 1h 53min | Classificação: 14 anos | Onde assistir: Disney+

4. O Preço do Amanhã (2011)
Em O Preço do Amanhã, as pessoas param de envelhecer aos 25 anos e, a partir daí, ganham apenas mais um ano de vida, que aparece como um relógio verde no braço.
Nessa história, o tempo virou moeda: um café custa quatro minutos, o aluguel custa semanas e, quando o relógio zera, a pessoa morre na hora. Will Salas (Justin Timberlake) vive na periferia, onde todo mundo acorda com poucas horas no braço, até o dia em que um desconhecido entrega a ele mais de um século.
Andrew Niccol, roteirista de O Show de Truman (1998) e diretor de Gattaca (1997), escreveu e dirigiu o filme que transforma a desigualdade social em uma contagem regressiva.
A metáfora funciona porque deixa visível algo que na vida real fica escondido: quanto custa sobreviver. Quando Will atravessa as barreiras até a parte rica da cidade, conhece Sylvia (Amanda Seyfried), filha de um milionário, e percebe que o sistema foi feito pra alguns viverem, pra sempre, às custas de muitos.
Enquanto isso, um guardião do tempo (Cillian Murphy) segue os passos dele, convencido de que tanto tempo nas mãos de alguém da periferia só pode ser um crime.
Pra quem gosta de ação, perseguição e uma crítica social fácil de entender, esse filme é uma ótima escolha. O filme tem alguns furos, mas a ideia central é tão forte que vai te fazer pensar mesmo com esses pequenos detalhes.
O Preço do Amanhã | 2011 | Direção: Andrew Niccol | 1h 49min | Classificação: 12 anos | Onde assistir: Netflix

5. Wall-E (2008)
Em WALL-E, a Terra foi abandonada e está coberta de lixo. O único que continua trabalhando é WALL-E (Ben Burtt), um robô que compacta entulho em cubos e coleciona objetos curiosos. Entre eles, uma fita velha do musical "Hello, Dolly!", de 1969, a que ele assiste todas as noites, repetindo a cena em que um casal dança de mãos dadas.
Quando uma robô moderna chamada EVA (Elissa Knight) aparece procurando sinais de vida no planeta, como uma simples planta, WALL-E se apaixona e vai atrás dela até a Axiom, a nave onde a humanidade vive há 700 anos.
Com direção de Andrew Stanton, WALL-E tem um robô fofo, uma história de amor e classificação livre, e mesmo assim é um dos filmes mais políticos desta lista por falar sobre questões ambientais e controle sobre o corpo.
A sociedade e os políticos não souberam lidar com a crise climática e abandonaram a terra por ter se tornado inabitável, mas também, dentro da nave, não motivam as pessoas a cuidarem do próprio corpo pra retomada. Fizeram exatamente o contrário: deixaram as pessoas ficarem cômodas e acostumadas a uma realidade sem perspectiva de mudança.Quem diria que um robozinho programado pra cuidar do lixo seria o grande responsável pela mudança do imaginário das pessoas?
Vale pra quem gosta de animação, histórias de amor improváveis e críticas ao consumo. Repare que os primeiros 40 minutos quase não têm diálogo, mas ainda assim você entende tudo. Não à toa, o filme ganhou o Oscar de Melhor Animação.
WALL-E | 2008 | Direção: Andrew Stanton | 1h 38min | Classificação: Livre | Onde assistir: Disney+
Qual desses filmes assistir primeiro?
Se você quer chegar ao cinema em novembro com a história de Panem fresquinha na cabeça, começa por Jogos Vorazes. Se você prefere uma animação pra assistir com a família e ainda sair com assunto pra conversa, vai de WALL-E. Agora, se você gosta de ficção científica com ação e um sistema pra desvendar, Matrix, Maze Runner e O Preço do Amanhã vão te servir muito bem.







