Senta a Pua!: o documentário pra te fazer sentir orgulho de ser brasileiro

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Dani Vieira

466 brasileiros foram para a Segunda Guerra sem experiência de combate, só com coragem. Senta a Pua! conta essa história como ela merece ser contada.

Cartaz do documentário "Senta a Pua!", mostrando um avião de caça brasileiro da Segunda Guerra Mundial em voo durante uma batalha aérea, com explosões ao fundo e o título do filme em destaque.

Muita gente quase não tem conhecimento de que o Brasil mandou pilotos pra combater na Segunda Guerra Mundial. E isso é um erro enorme, porque a história que eles viveram é das que prendem, emocionam e ficam. 

Senta a Pua! existe pra corrigir isso, além de prestar uma homenagem, e faz muito bem o serviço. 

O que aconteceu, historicamente

Em 6 de outubro de 1944, 466 jovens brasileiros desembarcaram no porto de Livorno, na Itália. Eram 49 pilotos e 417 homens de apoio, todos voluntários. Muitos vinham de origens humildes, sem nenhuma tradição militar na família e sem ideia real do que era uma guerra de verdade. O que tinham era disposição. 

Chegaram como coadjuvantes, escalados como o 4º elemento dos esquadrões americanos e saíram como protagonistas.

Com os caças P-47 Thunderbolt, o grupo fez mais de 2.550 missões de combate no Vale do Pó, destruindo depósitos de munição, pontes e comboios alemães sob fogo antiaéreo constante. 

Os números que ficaram registrados são absurdos pra qualquer padrão: 85% dos depósitos de munição inimigos destruídos na região e 70% dos veículos das tropas alemãs eliminados pelas missões brasileiras, segundo dados da FAB.

O dia mais marcante foi 22 de abril de 1945. Com apenas 22 pilotos disponíveis, o grupo realizou 44 ataques em 11 missões, do amanhecer ao pôr do sol. Uma façanha que a Força Aérea Brasileira comemora todo ano, nessa data, como o Dia da Aviação de Caça.

O documentário que recorda essa história 

Brasão do Grupo Senta a Pua da Força Aérea Brasileira, com desenho de um avestruz armado com espada e escudo, acompanhado da inscrição "Senta a Pua!" sobre fundo circular vermelho.

O emblema  do 1º Grupo de Aviação de Caça com o famoso avestruz, foi criado ainda no navio a caminho da Itália.

Lançado em 1999 e dirigido por Erik de Castro, Senta a Pua! recupera essa saga a partir de quem a viveu. São 23 depoentes, entre pilotos e pessoal de apoio, contando em primeira pessoa o que foi treinar nos Estados Unidos e no Panamá, cruzar o Atlântico em plena guerra e encarar a aviação nazifascista nos céus da Itália.

No doc, também é descrita a origem do nome do grupo, utilizado como grito de guerra. "Senta a pua" era uma gíria dos anos 1940 que significava “bater firme e agir com resolução”. 

E é exatamente isso que o documentário transmite: a resolução de homens jovens que foram para uma guerra que não era exatamente a deles, e que decidiram não desperdiçar a chance, mostrando a força do brasileiro.

O símbolo do grupo foi criado a bordo do navio, ainda no caminho pra Itália. No centro, do brasão, há um avestruz empunhando uma arma, sobre fundo vermelho de guerra e moldura nas cores do Brasil. 

O avestruz não foi escolha aleatória: era uma referência ao piloto de caça brasileiro, que precisou se adaptar a tudo, inclusive à alimentação norte-americana de guerra, disponíveis nas bases sob administração dos Estados Unidos em terras italianas. Um símbolo bem-humorado pra homens que enfrentavam algo muito sério.

A estrutura é cronológica e funciona bem. Os depoimentos são alternados com imagens de arquivo, fotos e ilustrações que reconstituem cada etapa, do treinamento às missões mais arriscadas. 

Há momentos pesados, como a história do tenente Danilo Moura, que após ter o avião abatido caminhou 386 quilômetros em 24 dias por território nazifascista até chegar à base aliada em Pisa, 19 quilos mais magro.

Por que indico esse documentário

Após o final da Segunda Guerra Mundial, os esforços do grupo foram reconhecidos pelos norte-americanos. Em 1986, o 1º Grupo de Aviação de Caça recebeu dos Estados Unidos a Presidential Unit Citation, uma das maiores honrarias militares americanas, concedida até então apenas a unidades das próprias Forças Armadas dos EUA. O Brasil foi a terceira exceção na história a receber a honraria.

Infelizmente, essa história costuma não aparecer em livros escolares e nem virou filme de Hollywood ou mesmo um longa nacional. Por muito tempo, não virou quase nada. Senta a Pua! foi a primeira vez, em 55 anos, que essa história chegou às telas do cinema brasileiro.

Eu não posso deixar de te indicar esse documentário, principalmente pra quem quer sentir orgulho sem precisar de exagero ou discurso bonito. O orgulho que sinto disso aqui vem dos fatos, contados pela voz dos próprios homens que estavam lá e viveram na pele os dias difíceis e de glória. Isso é mais do que suficiente, pelo menos, pra mim.

Vai dar o play?

Senta a Pua! é um documentário que devolve ao Brasil uma história que o Brasil quase esqueceu. Dois anos de treinamento, oito meses de combate, mais de 2.550 missões e uma coragem que nenhum roteirista precisaria inventar, sabe? Você vai se surpreender com as histórias de vida ali contadas.

Senta a Pua! (documentário)  | 1999 | Direção: Erik de Castro | 1h52min | Classificação: Livre

Onde assistir: Prime Video 

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