Pica-Pau: O Filme é superestimado, sem graça e meio sem saída
A gente assistiu Pica-Pau: O Filme e não vai fingir que foi divertido. Até tem gargalhada, tem armadilha, tem CGI. Mas, faltou todo o resto.

Vou ser direta: Pica-Pau: O Filme (Woody Woodpecker) é ruim. Não é o tipo ruim que tem um charme secreto. Não é aquele filme que envelheceu mal, mas foi bom na época. É simplesmente ruim desde o primeiro frame. E ele sabe disso, só não se importa.
O que prometia ser
O Pica-Pau do desenho original é puro caos. É um personagem construído em cima de energia descontrolada, humor físico afiado e aquela gargalhada que gruda na nossa cabeça por dias. Tem tudo pra funcionar numa aventura live-action: um CGI decente, um vilão que serve de alvo para as armadilhas e um ritmo que acompanha a loucura do personagem.
Pica-Pau: O Filme tem um vilão, tem armadilhas e tem CGI. E parou por aí.
O que de fato é o filme
A trama acompanha Lance Walters (Timothy Omundson), um advogado que quer derrubar a floresta onde o Pica-Pau mora pra construir uma mansão. O Pica-Pau não deixa. Armadilhas acontecem. Créditos sobem.
No meio disso, tem um subplot sobre pai divorciado tentando se reconectar com o filho adolescente, uma namorada vilã vivida por Thaila Ayala com um sotaque que vai e vem, e um menino que aprende lições sobre família. Tudo isso em 84 minutos de um filme sobre um pássaro animado que bica pessoas na cabeça.
Pra mim, o problema não é a mistura de live-action com animação, isso já funcionou antes. O problema é que o roteiro parece escrito por alguém que nunca assistiu ao desenho e recebeu apenas uma descrição de segunda mão: "é um pássaro travesso que faz barulho e atrapalha as pessoas."
Por que não vale seu tempo
O humor não funciona. As piadas chegam com hora marcada e saem sem deixar rastro. O Pica-Pau do filme é irritante do jeito errado, não aquele caos divertido do original, mas uma versão digital que grita e aparece na tela sem uma razão clara pra existir em cada cena.
O elenco humano faz o que pode com um roteiro que não oferece nada. Timothy Omundson entrega um vilão completamente vazio. Thaila Ayala aparece, faz pose e some. O menino aprende que família é importante. Alguém come algo nojento por acidente. O Pica-Pau ri.
Não dá pra rir junto.
A única coisa que funciona é a gargalhada. Eric Bauza, que assume a voz do personagem nesse filme, acerta na reprodução daquele som icônico. Por alguns segundos, quando a gargalhada toca, dá para lembrar por que o Pica-Pau foi importante. Aí a cena continua e a memória vai embora.
Resumindo
De verdade? Pula esse. Se a ideia é nostalgia, vai direto aos episódios originais do desenho que estão por aí e ainda funcionam. Se a ideia é colocar algo pras crianças, existem opções muito melhores que não vão fazer você olhar pro celular a cada cinco minutos.
Pica Pau: o filme (Woody Woodpecker) | 2017 | Direção: Alex Zamm | 1h24min | Classificação: LivreOnde assistir: Prime Video, Globoplay, Apple TV





