Pra quem ama O Auto da Compadecida: 5 clássicos que a gente indica pra amantes do Brasil
Amou O Auto da Compadecida? A gente separou 5 filmes e séries com o mesmo espírito: sertão, humor com coração e personagens inesquecíveis. Confira!

João Grilo e Chicó, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, são os protagonistas da divertida e inesquecível história de O Auto da Compadecida.
O Auto da Compadecida é um dos filmes mais amados da história do cinema brasileiro, e não é à toa. A história nasce de uma peça teatral escrita em 1955 pelo paraibano Ariano Suassuna, um dos maiores nomes da literatura brasileira.
Suassuna passou a vida documentando o folclore, a religiosidade e o humor do nordeste brasileiro, e reuniu tudo isso em dois personagens inesquecíveis: João Grilo e Chicó, dois amigos pobres que vivem no sertão e sobrevivem com o que têm de mais valioso: a esperteza e a lábia. E, em 2000, o diretor Guel Arraes levou essa história para o cinema.
O que acontece no filme O Auto da Compadecida
João Grilo e Chicó, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, em cena de O Auto da Compadecida.
Dois amigos no sertão nordestino tentando sobreviver com o que têm: astúcia, conversa boa e muita criatividade. João Grilo (Matheus Nachtergaele) é o esperto que arruma saída pra qualquer enrascada. Chicó (Selton Mello) é um mentiroso que vive inventando histórias.
Juntos, eles passam por padres corruptos, cangaceiros violentos e até chegam ao julgamento divino, onde Nossa Senhora (Fernanda Montenegro) aparece pra dar a palavra final.
O roteiro de Guel Arraes, Adriana Falão e João Falão adapta a peça teatral de Ariano Suassuna com leveza e inteligência. Não é uma adaptação respeitosa demais, daquelas que têm medo de mexer no original. É uma releitura que entende o espírito da obra e o coloca em imagens, humor e coração.
Vale seu tempo?
Sim. O Auto da Compadecida é engraçado, emocionante, filosófico e popular no melhor sentido da palavra. Raramente um filme consegue ser tudo isso ao mesmo tempo, sem forçar nenhum dos lados.
Por isso o sertão aparece em O Auto da Compadecida como um lugar real, não como cenário de miséria ou exotismo. As pessoas têm nome, dignidade e graça. Isso é raro.
O cinema refletiu isso muito bem e criou algo raro: um filme que é ao mesmo tempo popular e inteligente, engraçado e emocionante, regional e universal. Por isso, mais de 25 anos depois, O Auto da Compadecida ainda é o tipo de obra que a gente indica sem hesitar pra qualquer pessoa, pra qualquer humor.
Por que O Auto da Compadecida se tornou um clássico nacional?
Tem algo nesse filme que qualquer pessoa que cresceu no Brasil vai sentir. É o humor que nasce da necessidade, a fé misturada com deboche, a crítica social embrulhada em piada. É o Brasil sendo honesto sobre si mesmo, com carinho. Muito carinho.
Esse carinho começou na minissérie de 4 capítulos, exibida na TV Globo em 1999. O sucesso foi tão grande que Guel Arraes e a Globo Filmes decidiram transformar em filme.
Quando estreou, levou mais de 2 milhões de pessoas para o cinema, mesmo sendo uma obra que o público já tinha assistido de graça na televisão.
No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2001, o filme levou quatro prêmios: melhor diretor, melhor roteiro, melhor lançamento e melhor ator.
E não foi só isso: tudo foi gravado em Cabaceiras, no sertão da Paraíba, conhecida como a “Roliúde Nordestina”. A cidade recebeu a equipe com tanto entusiasmo que a igreja principal foi pintada pra produção, as fachadas ficaram novas, os postes trocados e os cabos telefônicos escondidos. Todo capricho pra obra do Suassuna.
A frase de O Auto da Compadecida que o Brasil não esquece
“Não sei, só sei que foi assim.” Chicó diz isso toda vez que precisa justificar uma mentira sem saída. É uma frase cômica, filosófica e é, de certa forma, muito honesta sobre como a gente lida com o que não consegue explicar. Essa frase entrou para o imaginário popular brasileiro de um jeito que poucos filmes conseguem.
5 filmes pra quem ama O Auto da Compadecida e quer mais
Se o filme despertou aquela vontade de mais Brasil, mais humor com coração e mais personagens inesquecíveis, a gente separou 5 títulos que vão no mesmo caminho:
1. Central do Brasil (1998)

Dora é uma mulher dura, que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil. Quando um menino chamado Josué perde a mãe e fica sozinho no mundo, ela acaba levando ele numa viagem pelo sertão nordestino em busca do pai que o garoto nunca conheceu.
O que começa como obrigação vai se tornando algo muito mais bonito do que qualquer um dos dois esperava. Assim como O Auto da Compadecida, o filme usa o sertão como cenário, mas o que importa mesmo é o que acontece entre as pessoas.
Tem humor, tem dor, tem fé e tem aquela humanidade crua que Walter Salles filma como poucos. Fernanda Montenegro entregou uma das melhores atuações da história do cinema brasileiro, e a indicação ao Oscar não foi por acidente.
Onde assistir: Globoplay, Prime Video e Claro TV+.
2. Abril Despedaçado (2001)

Tonho (Rodrigo Santoro) carrega o peso de um destino que nunca escolheu em Abril Despedaçado (2001).
No sertão nordestino, duas famílias travam uma briga de gerações: quando um membro de um clã mata alguém do outro, a camisa ensanguentada do morto fica pendurada até que a vingança aconteça. Tonho (Rodrigo Santoro) está destinado a matar e a morrer. Mas então aparece Salustiano, um menino livre e estranho que nunca parou pra pensar que o mundo precisava ser desse jeito.
Walter Salles de novo e, de novo, o sertão como palco de algo maior do que a paisagem. O humor trágico, a crítica velada às estruturas de poder e a dignidade dos personagens pobres lembram muito o espírito de Ariano Suassuna. Não é um filme leve, mas é um filme honesto, daqueles que ficam na cabeça por muito tempo depois dos créditos.
Onde assistir: Prime Video.
3. Narradores de Javé (2003)

A cidade de Javé vai ser inundada por uma barragem. A única saída é provar que ela tem valor histórico e, pra isso, precisam registrar a fundação do lugar por escrito. Problema: quase ninguém sabe escrever.
A solução é Antônio Biá, o único homem da cidade com essa habilidade, justamente aquele que todo mundo odeia. O que se segue é uma série de versões contraditórias, disputas de ego e mentiras criativas que fariam João Grilo aplaudir de pé.
É uma comédia sobre como a gente constrói a própria história, literalmente. Tem aquele humor nordestino que nasce da necessidade, personagens com muita lábia e pouco dinheiro, e uma crítica bem-humorada sobre memória, vaidade e comunidade. Quem amou O Auto da Compadecida vai gostar desse também.
Onde assistir: MUBI.
4. Lisbela e o Prisioneiro (2003)

Lisbela é apaixonada por cinema e tem um dom especial: apaixonar homens que logo depois morrem de formas trágicas. Leléu é um golpista charmoso com vários casamentos nas costas e uma habilidade natural pra se meter em encrenca.
Quando os dois se encontram no nordeste, o que não vai faltar é confusão, perseguição e aquele romance absurdo e adorável que só funciona nesse tipo de história.
Direção de Guel Arraes, o mesmo de O Auto da Compadecida, e dá pra sentir na cadência das cenas, no ritmo do humor e no carinho pelos personagens. É uma comédia de erros com alma nordestina, cheia de referências ao cinema clássico e de personagens que sobrevivem na base da conversa boa. Divertido do começo ao fim.
Onde assistir: Netflix e Claro TV+.
5. O Bem-Amado (2010)

Odorico Paraguaçu, o prefeito mais malandro do nordeste, em O Bem-Amado (2010).
Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) é o prefeito de Sucupira, uma cidadezinha do nordeste. Ele construiu um cemitério municipal com toda a pompa, mas tem um problema: ninguém morre. E ele precisa de um morto pra inaugurar.
O que se segue é uma série de esquemas cada vez mais absurdos de um político que mistura cinismo, charme e picardia em doses iguais. Tem o mesmo sangue de Suassuna: humor popular, crítica política, personagens com nome e história.
Onde assistir: Globoplay
Vai dar o play?
Assim como O Auto da Compadecida é, antes de qualquer coisa, divertido, os filmes dessa lista também são. O humor chega primeiro. A emoção e o significado vêm logo depois, sem avisar, e aí já é tarde pra não se importar com os personagens dessas histórias incríveis.
Se você não viu O Auto da Compadecida, não perde tempo e vai logo ver. E se algum filme dessa lista já passou por você e não teve a sua atenção, vai lá dar o play!
O Auto da Compadecida | 2000 | Direção: Guel Arraes | 1h35 | Classificação: 12+ | Onde assistir: Globoplay, Claro Tv+ e Prime Video








