Pela Metade: minissérie caótica da HBO Max expõe masculinidade tóxica

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Murilo Martouza

Criada por Richard Gadd, a nova minissérie da HBO Max transforma um drama familiar em uma discussão intensa sobre masculinidade tóxica, saúde mental e o ciclo de violência entre gerações.

Richard Gadd (Ruben) e Jamie Bell (Niall) encostam a testa um no outro enquanto se seguram pelo pescoço, em um momento de tensão na minissérie Pela Metade (Half Man, 2026).

A HBO já virou especialista em lançar minisséries dramáticas que parecem dominar a conversa na internet por semanas. Foi assim com Chernobyl (2019), The White Lotus (2021), Mare of Easttown (2021) e, agora, acontece de novo com Pela Metade (Half Man, 2026), nova minissérie disponível no HBO Max. Se você gostou de Bebê Rena (Baby Reindeer, 2024) e saiu da série pensando "eu preciso de um tempo pra digerir isso", já adianto que a nova minissérie da HBO Max, criada por Richard Gadd, provoca a mesma sensação, talvez até pior.

Diferente de Bebê Rena, que mergulha em obsessão e trauma individual, Pela Metade amplia a discussão pra relações familiares e masculinidade em uma experiência caótica do começo ao fim, que faz questão de deixar o espectador desconfortável em praticamente todos os episódios. A série coloca o dedo na ferida sem nunca aliviar totalmente a pressão e, sinceramente, eu adoro quando uma série consegue fazer isso.

A transformação física de Richard Gadd pra viver Ruben

Em Pela Metade, Richard Gadd interpreta Ruben, um homem explosivo, imprevisível e emocionalmente devastado. Pra viver o personagem, ele ganhou cerca de 45 kg, chegando a pesar 110 kg. O ator e criador da série comentou que fez questão de que Ruben não tivesse o típico tanquinho, ele queria se parecer com um homem que é naturalmente grande e pesado.

A transformação chamou tanta atenção que virou assunto nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter). Quem assistiu Bebê Rena percebe a diferença do Richard daquela época pra versão dele em Pela Metade.

Sobre o que fala a minissérie Pela Metade?

Tudo começa quando Ruben (Stuart Campbell/Richard Gadd) aparece de surpresa no casamento de Niall (Mitchell Robertson/Jamie Bell), seu irmão de criação, depois de anos afastados. O reencontro vira um climão e serve como ponto de partida pra voltarmos anos no passado e conhecermos a relação dos dois em diferentes fases da vida.

Conforme a história avança, conhecemos Lori (Neve McIntosh), mãe de Niall, Maura (Marianne McIvor), mãe de Ruben, Alby (Bilal Hasna/Charlie de Melo), Joanna (Julie Cullen/Kate Robson-Stuart), Ava (Anjli Mohindra), Mona (Charlotte Blackwood/Amy Manson) e outros personagens que ajudam a revelar como traumas, abandono, abuso e expectativas sobre o que significa "ser homem" moldaram a vida de todos eles. Em vez de buscar culpados fáceis, a série prefere mostrar como a violência se perpetua entre gerações.

Um drama que me prendeu do começo ao fim

Richard Gadd (Ruben), sem camisa e com a mão enfaixada, segura o rosto de Jamie Bell (Niall) enquanto os dois encostam a testa em uma cena carregada de emoção em Pela Metade.

Eu adorei Pela Metade porque eu curto acompanhar famílias disfuncionais em conflito e personagens emocionalmente quebrados e isso a minissérie entrega em uma boa dose.

Gosto demais de como em cada episódio (que eu sofri esperando semana a semana) o desconforto cresce e o clima fica cada vez mais pesado. Fora que a série tem uma qualidade técnica enorme. As atuações são excelentes, a direção sabe quando deixar o silêncio falar sozinho e a construção dos personagens é impressionante. Mas pra mim o maior mérito da série tá em outro lugar.

Pela Metade coloca o dedo na ferida da masculinidade tóxica sem dó, mostrando como o machismo destrói mulheres, famílias, amizades e, principalmente, os próprios homens. Homens esses que vivem presos em um ciclo de violência emocional, repressão, vergonha e agressividade sem sequer enxergar que alimentam um modelo de masculinidade que faz vítimas por todos os lados, incluindo eles mesmos.

Vale seu tempo?

Vale sim, é uma das minisséries mais desconfortáveis e intrigantes da HBO dos últimos tempos.

Apesar de deixar o clima pesado e dar aulas sobre saúde mental, Pela Metade também tem momentos engraçados, situações fofas e pequenas demonstrações de afeto que fazem alguma diferença em meio ao caos da história, sendo uma boa indicação de série pra maratonar durante um fim de semana.

Recomendo que homens que querem ocupar um papel ativo na construção de um mundo melhor pra si e pra quem está à sua volta assistam. A série lembra o tempo todo que homens também sofrem, também adoecem e precisam aprender a pedir ajuda sem vitimismo. Poucas séries discutem masculinidade, violência e saúde mental com tanta honestidade assim, então essa é a sua chance de dar o play.

Pela Metade | 2026 | Criação: Richard Gadd | 6 episódios (cerca de 55 min por episódio) | Classificação: 18+ | Onde assistir: HBO Max

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