Mother Mary: suspense psicológico com artista musical pop em crise

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Murilo Martouza

Anne Hathaway e Michaela Coel estrelam esse suspense dramático sobre fama, mágoas do passado e uma diva pop em crise, com músicas hipnotizantes e metáforas intrigantes.

Sam Anselm (Michaela Coel) segura tecido branco sobre roupa de Mother Mary (Anne Hathaway) enquanto as duas se encaram em um ambiente escuro, em uma cena dramática do filme Mother Mary (2026).

Mother Mary (2026) é um suspense psicológico estrelado por Anne Hathaway e Michaela Coel que mistura música pop, fama, relações desgastadas e mistério sobrenatural numa história cheia de metáforas. 2026 tem sido o ano de Anne Hathaway no cinema e, mais uma vez, fui assistir a um filme por causa da atriz. Como sou fã de divas pop, a premissa dessa história também me pareceu intrigante e curiosa, principalmente pela possibilidade de acompanhar os bastidores de uma estrela musical em crise.

Não posso dizer que amei completamente o filme, porque algumas escolhas narrativas me deixaram com mais dúvidas do que respostas. Ainda assim, gostei de vários elementos apresentados durante a trama e acho que Mother Mary tem uma história interessante de acompanhar, especialmente pra quem curte música pop, personagens complexas e suspense com espaço pra diferentes interpretações.

Qual é a história de Mother Mary?

Mother Mary (Anne Hathaway) é uma estrela pop mundialmente famosa que, em meio a uma crise pessoal e artística, procura uma antiga amiga estilista, Sam Anselm (Michaela Coel), com quem mantém uma relação marcada por mágoas e assuntos mal resolvidos.

O reencontro das duas traz à tona ressentimentos, conflitos emocionais e perguntas sobre o que realmente aconteceu entre elas. Enquanto tentam lidar com os sentimentos que ficaram pelo caminho, a história também introduz elementos sobrenaturais que tornam essa relação ainda mais misteriosa.

Mother Mary: divas pop, música e inspiração

As artistas que inspiraram Mother Mary e a preparação de Anne Hathaway

Embora Mother Mary seja uma artista fictícia, a personagem reúne referências de várias estrelas pop que conheço muito bem. David Lowery, diretor e roteirista do filme, buscou inspiração em nomes como Beyoncé, Lady Gaga, Rosalía, Lorde e Taylor Swift pra construir essa figura que mistura espetáculo, vulnerabilidade e uma imagem quase divina. Lowery também revelou que usou a Reputation Stadium Tour, de Taylor Swift, como referência pra filmar as sequências de shows, ajudando a criar apresentações que parecem gigantescas e cheias de teatralidade.

Para dar vida a essa diva, Anne Hathaway passou por um intenso treinamento de dança, estudando apresentações ao vivo e documentários sobre o assunto, além de praticar até sentir as pernas dormentes. A coreógrafa Dani Vitale, que já trabalhou com Rihanna, Katy Perry e Halsey, foi uma das principais colaboradoras da atriz na construção dos movimentos da personagem. Outro detalhe interessante está na trilha sonora: o roteiro começou com descrições aproximadas das músicas, que ganharam forma durante a produção com composições de Charli XCX, Jack Antonoff e FKA twigs. O resultado mistura sonoridades do dark pop com influências gospel e cria uma identidade musical marcante que ajuda a contar a história.

Como surgiu a inspiração para o filme? 

A origem de Mother Mary também tem relação com um momento de dúvida na carreira de David Lowery. O diretor começou a escrever o projeto como uma espécie de fuga enquanto tentava finalizar A Lenda do Cavaleiro Verde (The Green Knight, 2021) e, ao mesmo tempo, se preparava pra dirigir Peter Pan & Wendy (2023). Dividido entre projetos com propostas tão diferentes, Lowery sentia dificuldade pra conciliar as próprias identidades como contador de histórias. A criação de Mother Mary surgiu, então, como um espaço pra explorar essas inquietações de maneira mais livre, transformando questões sobre identidade artística, pressão profissional e expressão criativa numa narrativa sobre uma estrela pop que já não sabe muito bem quem é por trás da própria imagem.

Mother Mary apresenta um mistério interessante, mas as metáforas são cansativas

Mother Mary (Anne Hathaway) canta em um palco durante um show, usando um figurino brilhante e uma coroa pontiaguda, sob iluminação azul intensa, no filme Mother Mary (2026).

Mother Mary é um filme competente, visualmente bonito, sonoramente sofisticado e cheio de metáforas. Não sei se entendi completamente a proposta de David Lowery, mas, de alguma forma, a história conseguiu falar comigo. Fiquei satisfeito com essa trama de diva pop em crise, marcada pelas mágoas de um passado compartilhado com uma antiga amiga, com uma tensão sexual que me deixou ainda mais curioso. De quebra, o filme insere um mistério sobrenatural muito intrigante que, pra mim, funciona tanto de maneira literal quanto metafórica também.

Anne Hathaway e Michaela Coel definitivamente carregam o filme nas costas com suas atuações, principalmente Michaela. Ela consolida a imponência de Sam Anselm com um visual marcante, um comportamento intimidador e uma voz e sotaque que faz cada conversa parecer um confronto. Hathaway, por outro lado, brilha na performance dramática e nas sequências musicais, mostrando uma faceta diferente de seu talento. E preciso falar da trilha sonora: a mistura de gospel com dark pop é fantástica e, desde que ouvi as músicas pela primeira vez, não parei de escutá-las nos meus fones de ouvido.

Outro ponto que me conquistou foi a tensão crescente entre as duas personagens. Durante boa parte do filme, fiquei curioso pra entender o que aconteceu no passado delas, o que realmente representavam uma pra outra, como chegaram ao ponto de se afastar e o que ainda sentem depois de tantos anos. Também gostei bastante da discussão sobre a fama e a indústria musical, especialmente sobre como esse meio pode prejudicar a saúde mental e afastar pessoas que se amam em nome de uma ilusão de grandeza. Acompanhamos uma artista que cresce até se tornar tão famosa que quase é tratada como uma divindade. Ela faz a alegria de milhares de pessoas, mas continua sendo um ser humano com suas próprias dores, inseguranças e dificuldades.

Apesar de ter curtido bastante o filme e até ficado obcecado em busca de respostas para os mistérios da trama, acho que o excesso de metáforas pode tornar a experiência cansativa. Quando a história chega ao fim, algumas ideias parecem não levar a lugar algum, o que enfraquece parte do impacto emocional. Ainda assim, as atuações excelentes, o visual cheio de personalidade e as músicas hipnotizantes compensam boa parte desses tropeços. Não saí com todas as respostas, mas saí com vontade de continuar pensando no filme. E isso, pra mim, já tem seu valor.

Mother Mary vale seu tempo?

Mother Mary vale seu tempo se você é fã de música pop e gosta de suspenses mais leves, com um toque sobrenatural e espaço pra interpretações. O filme também pode funcionar muito bem pra quem prefere dramas sobre relações disfuncionais, ressentimentos antigos e pessoas que tentam reconstruir uma conexão que já foi muito importante em suas vidas.

Se você gosta de Cisne Negro (Black Swan, 2010), pela pressão de uma artista que começa a perder o controle sobre si mesma, mãe! (mother!, 2017), pelo uso de metáforas e imagens perturbadoras pra discutir questões mais profundas, e Sorria 2 (Smile 2, 2024), pela relação entre fama, espetáculo e sofrimento psicológico, Mother Mary pode funcionar pra você. Os filmes têm propostas diferentes, mas compartilham elementos que tornam a experiência desconfortável, simbólica e aberta a interpretações.

Abra a mente pra essa experiência e dê o play!

Mother Mary | 2026 | Direção: David Lowery | 1h50 | Classificação: 14+ | Onde assistir: HBO Max

Perguntas Frequentes

O que é Mother Mary?
Mother Mary é um filme de 2026 dirigido e roteirizado por David Lowery. O suspense psicológico mistura drama, música pop e elementos sobrenaturais pra contar a história de uma estrela musical em crise que reencontra uma antiga amiga com quem tem assuntos mal resolvidos.
Qual é a história de Mother Mary?
O filme acompanha Mother Mary, uma estrela pop interpretada por Anne Hathaway, que procura Sam Anselm, uma estilista vivida por Michaela Coel. O reencontro traz à tona mágoas do passado, conflitos emocionais e um mistério sobrenatural que coloca em dúvida a relação entre as duas.
Quem está no elenco de Mother Mary?
O elenco principal conta com Anne Hathaway como Mother Mary e Michaela Coel como Sam Anselm. O filme é dirigido por David Lowery, que também assina o roteiro. A produção ainda conta com nomes como Hunter Schafer e FKA twigs.
Qual é o gênero do filme Mother Mary?
Mother Mary mistura suspense psicológico, drama musical e elementos sobrenaturais. A história também aborda temas como fama, identidade artística, saúde mental e relações marcadas por ressentimentos.
Mother Mary é baseado em uma história real?
Não. Mother Mary é uma personagem fictícia. A construção da cantora foi inspirada em diferentes artistas pop, incluindo Beyoncé, Lady Gaga, Rosalía, Lorde e Taylor Swift. Essas referências ajudam a criar a imagem de uma estrela que combina espetáculo, vulnerabilidade e uma presença quase divina.
Quem fez a trilha sonora de Mother Mary?
A trilha sonora conta com músicas originais criadas por Charli XCX, Jack Antonoff e FKA twigs. As composições misturam influências de dark pop e gospel, contribuindo pra atmosfera do filme e para a construção emocional da protagonista.
Vale a pena assistir Mother Mary?
Se você gosta de música pop, atuações intensas e histórias abertas a diferentes interpretações, Mother Mary pode valer a pena. Na minha avaliação, o filme se destaca pelas atuações de Anne Hathaway e Michaela Coel, pelo visual e pela trilha sonora. Por outro lado, o excesso de metáforas pode tornar a narrativa cansativa em alguns momentos.
Onde assistir a Mother Mary?
Na data desta crítica, Mother Mary está disponível na HBO Max no Brasil. Como a disponibilidade de filmes nos serviços de streaming pode mudar, vale conferir o catálogo da plataforma antes de assistir.

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