7 animes pra quem quer ver a vilã saindo por cima

C

Camille Pezzino

Cansada de jogar otome game e ver a mocinha (sem fazer esforço nenhum) ganhar tudo de mão beijada? A gente também. Por isso, montamos uma lista de 7 animes de isekai shoujo, otome e vilã pra todo tipo de humor: tem protagonista que resolve tudo no soco, mocinho insensível virando capacho, gênia da medicina e até quem já viveu sete vidas.

Uma parte do rosto de cada protagonista da lista, na ordem: Scarlet, de May I Ask for One Final Thing; Bertia, de An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess; Raeliana, de Why Raeliana Ended Up at the Duke's Mansion; Mia, de Tearmoon Empire; Elise, de Doctor Elise; Iana, de The Dark History of the Reincarnated Villainess; e Rishe, de 7th Time Loop.

Quem já não achou a vilã a parte mais interessante da história? É ela que tem o visual marcante, as melhores falas e uma motivação que dá pra entender, mesmo quando a gente não concorda. O problema é que, no roteiro original, ela está sempre fadada a perder. Por isso, o mundo dos animes resolveu dar um basta e virar o jogo: aqui, a vilã ganha o protagonismo, a chance de recomeçar e, de quebra, o final feliz que ninguém deixava ela ter. 

Vamos do começo: o que é isekai shoujo?

Isekai é um gênero japonês que quer dizer “outro mundo”. A ideia é simples: alguém do nosso mundo é transportado ou renasce dentro de uma realidade totalmente diferente, quase sempre um mundo de fantasia. Já o shoujo é um tipo de história pensada principalmente pro público feminino, com o foco no romance, nas relações e na emoção.

Quando os dois se juntam, nasce o isekai shoujo. Uma garota acorda numa outra vida, normalmente um cenário de fantasia tirado de um otome game ou de um romance, e a trama passa a girar em torno das relações dela ali dentro: do romance ao drama de corte. É bem nesse terreno que a vilã floresce, porque a protagonista costuma renascer justamente como a antagonista da história e precisa dar um novo rumo ao próprio destino. Às vezes, vira até a verdadeira vilã.

Por que existe anime de vilã?

O mundo está cheio de perspectivas, né? Por isso uma pessoa pode parecer legal ou ruim a depender do que você acredita ou ama. Então, os japoneses e os coreanos foram lá e criaram um subgênero inteirinho pra tratar esse ponto: akuyaku reijou (a vilã).

Esse gênero é viciante: uma menina rejeitada, que não foi amada como deveria, apesar de ser super gente fina, merece uma segunda chance. E por que não em um mundo totalmente novo ou já sabendo o que vai acontecer?

Geralmente, elas têm uma missão: fugir do destino trágico que o roteiro já tinha reservado. Nem toda história aqui segue essa cartilha à risca, aliás, é justamente isso que deixa tudo mais divertido e gostoso de acompanhar. Tem vilã renascida sim, mas também tem quem se autoproclama, uma que tá presa num loop temporal e até princesa que evita a guilhotina com um diário do futuro nas mãos (o pensamento dessa é até mais egoísta e vilanesco do que das outras).

As vilãs mais cativantes e engraçadas do gênero

Muitas dessas histórias, pra além de ser tudo o que a gente queria ver, têm personagens que são muito apaixonantes, fortes e, por vezes, engraçadas. O que só aumenta a vontade de maratonar essas histórias e de assistir cada uma delas no final de um dia meio capenga e cansativo.

Por isso, juntamos 7 títulos que misturam renascimento, otome game, romance e muita protagonista no controle da própria história. Todos prontos pra maratonar, de preferência sem pausa.

1. May I Ask for One Final Thing (2025)

Scarlet (Asami Seto), de May I Ask for One Final Thing, sorri com a mão erguida usando luva preta com rebites.

No meio de um baile, Scarlet El Vandimion tem o noivado rompido pelo próprio noivo, o príncipe Kyle, que ainda a acusa falsamente de ser uma vilã. Cansada de anos de humilhação, ela faz um último pedido antes de aceitar o fim do compromisso: dar um soco na cara dele. A partir daí, começa a vingança de Scarlet contra Kyle e seus aliados, com muita pancadaria, magia e uma protagonista que não leva desaforo pra casa.

Essa é uma daquelas histórias que cativam do início ao fim. A graça está na protagonista: Scarlet é forte, independente e não dá a mínima pro que a sociedade nobre espera dela. Quando a elegância encontra um soco bem dado, a diversão é certa. 

Não é o tipo de anime que pesa na consciência: é bomba, é porrada e é amor, tudo na medida. É a dica certa pra quem ama uma protagonista que resolve tudo com o próprio punho e, sem querer, arranja até tempo pro romance.

May I Ask for One Final Thing (Saigo ni Hitotsu dake Onegai shitemo Yoroshii deshou ka) | 2025 | Estúdio: Liden Films Kyoto | Direção: Kazuya Sakamoto | 13 episódios (23 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

2. An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess (2026)

Bertia (Miyu Tomita) surpresa  e corada e o Príncipe Cecil (Yūsuke Kobayashi) atrás dela sorrindo com uma carta na mão em frente a um prédio em An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess

Cecil é o príncipe herdeiro perfeito: inteligente, talentoso e tão entediado com tudo que mal sente alguma coisa. A vida dele muda quando fica noivo de Bertia, a filha do chanceler, que logo se declara: “eu sou a vilã desta história”. 

Bertia diz ter lembranças de uma vida passada, na qual era fã de um otome game, e está convencida de que precisa sabotar o próprio romance pra que o príncipe fique com a heroína do jogo. O problema é que, quanto mais ela tenta ser detestável, mais Cecil se interessa por ela. E tudo fica mais legal ainda porque a história é contada do ponto de vista dele.

O charme aqui está na inversão: em vez de acompanhar a mocinha, vemos tudo pelos olhos do mocinho. Cecil é aquele protagonista insensível que, sem perceber, vira um capacho apaixonado pela própria noiva. É muito engraçado ver um cara que acha que o mundo é tosco e sem graça se enroscar todo por causa de uma garota que só quer ser a vilã (e empurra ele pra mocinha a toda oportunidade que aparece). É a dica certa pra quem quer rir vendo o galã frio como pedra de gelo se derreter todinho e ter uma perspectiva muito diferente do normal pro gênero. Ousaram? Sim, e foi bom demais de acompanhar!

An Observation Log of My Fiancée Who Calls Herself a Villainess (Jishou Akuyaku Reijou na Konyakusha no Kansatsu Kiroku) | 2026 | Estúdio: Ashi Productions | Direção: Junichi Yamamoto | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

3. Why Raeliana Ended Up at the Duke's Mansion (2023)

Raeliana (Yume Miyamoto) e o duque Noah (Yūichirō Umehara) lado a lado, em Why Raeliana Ended Up at the Duke's Mansion

Eunha Park (em japonês, Rinko Hanasaki) morre na Seul dos dias de hoje e renasce dentro de um romance que conhecia bem, no corpo de Raeliana McMillan, uma personagem secundária que, na trama original, acaba assassinada pelo próprio noivo. Pra escapar dessa segunda morte, Raeliana usa o que sabe sobre a história e faz um acordo com o duque Noah Volstaire Wynknight: fingir ser noiva dele em troca do silêncio sobre um segredo valioso. O plano é simples no papel, mas a corte está cheia de armadilhas.

Esse anime é muito bom em equilibrar mistério, ação e romance. Raeliana é uma protagonista inteligente, daquelas que pensam alguns passos à frente e usam a cabeça pra sobreviver. A química com o duque dá o tempero, mas é a esperteza dela que segura a trama. Pra além dela, que é uma personagem que poucos animes conseguem entregar, temos no duque o tipo de mocinho que precisamos questionar o jeito e os próprios métodos o tempo todo.

É a dica certa pra quem gosta de um mistério com ação na medida e uma mocinha que procura resolver tudo com lógica e raciocínio.

Why Raeliana Ended Up at the Duke's Mansion (Kanojo ga Kōshaku-tei ni Itta Riyū) | 2023 | Estúdio: Typhoon Graphics | Direção: Junichi Yamamoto | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

4. Tearmoon Empire (2023)

Mia (Sumire Uesaka) usando tiara em uma biblioteca luxuosa, em Tearmoon Empire

Aos 20 anos, a princesa Mia Luna Tearmoon é odiada pelo próprio povo e acaba executada na guilhotina depois que uma revolução derruba o Império Tearmoon. Em vez de morrer, ela acorda de novo no próprio corpo de quando tinha 12 anos, com um diário manchado de sangue ao lado da cama, contando tudo o que estava por vir. 

Com essa segunda chance, Mia decide consertar o império. Não por bondade nem pelo povo: tudo o que ela faz é pra escapar da guilhotina. O detalhe é que cada atitude egoísta dela acaba sendo lida pelos outros como genialidade e generosidade.

Dessa lista, esse é o mais histórico, bem baseado no estilo Maria Antonieta de ser (tem até uma frase da diva). Também é um dos mais engraçados, a graça mora no mal-entendido: a Mia é uma covarde egoísta confessa, mas todo mundo ao redor enxerga uma sábia visionária em cada passo em falso que ela dá. 

Quanto mais ela tenta salvar a própria pele, mais vira líder admirada sem querer. Por isso, ela acaba parando em vários lugares que ela nem sequer queria estar. Essa é a dica certa pra quem quer uma vilã movida por puro instinto de sobrevivência e adora rir de mal-entendido que dá certo.

Tearmoon Empire (Tiamūn Teikoku Monogatari) | 2023 | Estúdio: Silver Link | Direção: Yūshi Ibe | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

5. Doctor Elise: The Royal Lady with the Lamp (2024)

Linden (Yohei Azakami) sério ao lado de Elise (Yui Ishikawa) sentada, em Doctor Elise

Numa primeira vida, Elise de Clorance é uma imperatriz mimada e cruel, cujo ciúme e ganância levam à perda de quem ela ama e à própria execução. Ela renasce no mundo moderno com as lembranças intactas e se torna uma cirurgiã brilhante pra tentar reparar os erros do passado. Quando morre num acidente de avião, acorda de novo no corpo de Elise, ainda adolescente, anos antes da tragédia. Dessa vez, decide usar o conhecimento médico pra salvar vidas e mudar o próprio destino.

Doctor Elise, pra além de uma história de vilã, é sobre arrependimento e redenção. Elise vive e revive cumprindo a missão de consertar o que estragou, custe o que custar. É do tipo de protagonista que se esforça muito, ao ponto de se transformar em um gênio da medicina

Tem sacrifício? Tem muito sim, mas é do tipo que acompanhamos e torcemos pra dar certo no final. E dá vontade de ver dar muito certo. É a dica certa pra quem ama uma protagonista movida por um sonho e por um dever, e quer um final que faça cada sacrifício valer a pena.

Doctor Elise: The Royal Lady with the Lamp (Oegwauisa Ellije) | 2024 | Estúdio: Maho Film | Direção: Kumiko Habara | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

6. The Dark History of the Reincarnated Villainess (2025)

Sol (Shōhei Komatsu) e Yomi (Shun'ichi Toki) se encarando, enquanto Iana (Yoshino Aoyama) fica desesperada em The Dark History of the Reincarnated Villainess

Konoha Satou passou a adolescência escrevendo uma fantasia romântica exagerada, cheia de cenas que hoje morre de vergonha de lembrar. Quando essa história ameaça vir à tona, ela entra em pânico, sofre um acidente e renasce justamente dentro do próprio mundo que inventou, no corpo de Iana Magnolia, a pior vilã que ela mesma criou. Como conhece cada detalhe do enredo, Konoha sabe que Iana está destinada a morrer e faz de tudo pra desviar de cada um desses finais.

Esse é o mais engraçado da lista. A graça está em ver como Konoha tenta se salvar o tempo todo e, pra fugir do destino da morte certa, parece cada vez mais heroína da história, mais do que a própria irmã (que é uma fofa, aliás). Enquanto isso, vemos ela surtar por dentro com as lembranças constrangedoras das subtramas que escrevia. A protagonista é um show à parte: cativa pela bobeira e pelo carisma. É a dica certa pra quem quer rir alto e ainda se apaixonar pela diva mais atrapalhada do reino.

The Dark History of the Reincarnated Villainess (Tensei Akujo no Kuro Rekishi) | 2025 | Estúdio: Studio Deen | Direção: Hiroaki Sakurai | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

7. 7th Time Loop: The Villainess Enjoys a Carefree Life Married to Her Worst Enemy! (2024)

Arnold (Nobunaga Shimazaki) e Rishe (Ikumi Hasegawa) frente a frente à noite, em 7th Time Loop

Rishe Imgard Wertsner tem o noivado com o príncipe herdeiro rompido pela sétima vez. Presa num loop temporal, ela já viveu seis vidas diferentes, como mercadora, cavaleira, médica e criada, mas todas terminaram da mesma forma: com a morte dela aos 20 anos, cinco anos depois do rompimento. Nesta sétima tentativa, ela só quer relaxar e aproveitar. Por isso, faz tudo diferente das outras vezes. O plano muda quando o príncipe Arnold, o mesmo homem ligado à morte dela em vidas passadas, a pede em casamento. Pra evitar uma guerra e finalmente envelhecer em paz, Rishe encara a vida de noiva no reino inimigo.

Se for colocar em um patamar, esse é um dos mais bonitos e bem construídos dessa lista. A arte é bem feita e a história vai ganhando camadas políticas cada vez mais interessantes. Rishe é forte, inteligente e tão experiente que carrega o conhecimento de seis vidas inteiras nas costas. Como não se apaixonar por ela? 

O mais gostoso é perceber, episódio a episódio, que ela é ainda melhor do que parece, até a gente ficar implorando por mais (e você vai ficar, já tem o aviso dado!). É a dica certa pra quem quer se apaixonar por uma protagonista inteligente conforme a história avança.

7th Time Loop: The Villainess Enjoys a Carefree Life Married to Her Worst Enemy! (Loop 7-kaime no Akuyaku Reijou wa, Moto Tekikoku de Jiyuu Kimama na Hanayome Seikatsu wo Mankitsu Suru) | 2024 | Estúdios: Studio Kai e Hornets | Direção: Kazuya Iwata | 12 episódios (24 min por episódio) | Classificação: +14 | Onde assistir: Crunchyroll.

Vai dar o play?

Com essa leva, dá pra escolher o tom da maratona: tem vilã que resolve no soco, galã que vira capacho, mocinha que resolve tudo no raciocínio, redenção de médica, comédia de vergonha alheia, princesa que foge da própria guilhotina e uma protagonista que já viveu sete vidas. Cada anime puxa o gênero da vilã e do otome pra um canto diferente, e juntos não repetem a mesma fórmula. Por isso, você pode assistir tudo e não vai se cansar, já que a única coisa em comum é que todas as protagonistas são apaixonantes.

Se torcer pela vilã é a sua praia, essa lista não decepciona. Escolhe um título, aperta o play e fica até o último episódio.

Últimos artigos