Sociedade dos Poetas Mortos: pra sentir a busca pela liberdade

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Dani Vieira

Nem toda prisão tem grades. Sociedade dos Poetas Mortos é um filme sobre encontrar a própria voz, mesmo quando o mundo espera outra de você

Robin Williams sobre uma mesa de sala de aula em cena de Sociedade dos Poetas Mortos, enquanto seus alunos o observam

Tem filme que me faz querer viajar. Tem filme que me faz querer até mudar de emprego. E tem filme que faz algo mais difícil: olhar pra própria vida e perguntar se ela ainda parece nossa.

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) é exatamente esse tipo de filme. Sempre que assisto, termino com a sensação de que liberdade não é simplesmente fazer o que dá vontade. É ter coragem de viver de um jeito que faça sentido pra você. 

Nem toda prisão tem grades

A história acompanha um grupo de alunos da tradicional Academia Welton, um colégio rígido onde disciplina e tradição valem mais do que qualquer sonho. Tudo muda quando chega o novo professor de literatura: John Keating, vivido por Robin Williams.

Ele não manda os alunos decorarem poemas. Ele ensina a senti-los.

Pouco a pouco, aqueles jovens começam a perceber que talvez existam outros caminhos além daquele que seus pais, professores e a própria escola desenharam pra eles.

A liberdade que John Keating desperta

O que mais me toca nesse filme é que ele nunca fala de liberdade como rebeldia vazia. Não é sobre desafiar regras por desafiar. É sobre descobrir quem você é antes que outra pessoa decida isso por você.

É justamente aí que John Keating, interpretado por Robin Williams em uma das melhores atuações da carreira, faz toda a diferença. 

É dele que sai o inesquecível "carpe diem" tão famoso na cultura latina. A expressão em latim significa "aproveite o dia". Mas ela não é só isso: na filosofia,é um convite pra viver sem pensar no amanhã. No filme, é um lembrete de que a vida é curta demais pra ser vivida apenas em busca de atender às expectativas dos outros.

Ele não aparece como um herói que tem todas as respostas, apenas faz as perguntas que ninguém tinha coragem de fazer.

Cada personagem vive essa descoberta de uma forma diferente. Alguns encontram coragem. Outros hesitam. Outros descobrem tarde demais o peso de abrir mão dos próprios desejos pra corresponder às expectativas de todo mundo.

E acho que é justamente por isso que o filme continua atual. Mesmo décadas depois, ainda existe uma pressão enorme pra seguir um roteiro considerado "certo": estudar, escolher uma profissão segura, agradar a família, não errar, não decepcionar.

Às vezes, a gente nem percebe quando começa a viver uma vida escolhida pelos outros.

Sem levantar a voz, Keating inspira mudanças enormes. Algumas frases dele continuam famosas até hoje porque parecem conversar diretamente com quem está assistindo, não só com os alunos da sala de aula.

Pra sentir a busca pela liberdade

Eu gosto de pensar que Sociedade dos Poetas Mortos não fala apenas sobre liberdade de escolha. Ele fala sobre liberdade de existir. Sobre escrever a própria história antes que ela seja escrita por outra pessoa.

É um filme que incomoda na medida certa, porque faz perguntas que nem sempre queremos responder. E talvez seja justamente por isso que ele continua emocionando tanta gente.

Vai dar o play?

Se você está vivendo um momento de dúvida, tentando decidir qual caminho seguir ou simplesmente precisando lembrar que ainda pode mudar de direção, eu iria nesse sem pensar duas vezes.

Gostou de O Sorriso de Mona Lisa? Então vai de Sociedade dos Poetas Mortos. Os dois mostram como um bom professor pode mudar uma vida inteira ao incentivar seus alunos a pensar por si mesmos e encontrar a própria voz.

Alguns filmes acabam quando sobem os créditos. Sociedade dos Poetas Mortos continua ecoando por muito tempo depois deles.

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) | 1989 | Direção: Peter Weir | 2h8min | Classificação: 12+ | Onde assistir: Disney+

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