Aprendendo a Lição: um pouco de exagero pra quem quer ação

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Camille Pezzino

Aprendendo a Lição, k-drama da Netflix, usa violência pra discutir a crise da autoridade docente. Vale a pena?

Na Hwa-jin (Kim Moo-yul), Im Han-rim (Jin Ki-joo), Bong Geun-dae (Pyo Ji-hoon) e Choi Gang-seok (Lee Sung-min) caminham por um corredor de escola em Aprendendo a Lição.

Aprendendo a Lição é um dorama ótimo pra maratonar, mesmo que carregue um tema pesado demais pra passar batido: até onde vai a violência como resposta pra violência? A série usa isso como motor da trama inteira, talvez seja por isso que consegue incomodar e entreter ao mesmo tempo.

O que acontece em Aprendendo a Lição

A autoridade dos professores desmoronou. Alunos agridem, humilham e saem impunes, o sistema de ensino finge que está tudo bem. Pra tentar consertar isso, o governo cria uma agência especial que é autorizada a usar qualquer meio necessário, incluindo força física, pra restaurar a ordem nas escolas mais violentas do país. À frente da equipe está o inspetor Na Hwa-jin (Kim Moo-yul), apelidado de “Ceifador” pelos colegas: frio, direto e disposto a fazer justiça pra quem quer estudar ou dar aula. Sem negociar com quem foge dessa regra.

Isso não é só ficção coreana

Num levantamento recente do MDHC, a violência escolar no Brasil triplicou em dez anos: 3.771 casos em 2013 viraram 13.117 em 2023. E o problema empurra professores pra fora da sala de aula: outro estudo, da UFEM Educacional, já trouxe um déficit de 235 mil docentes até 2040. Ou seja, o cenário de colapso que a série mostra na Coreia do Sul não é tão distante da realidade brasileira quanto parece. Talvez seja por isso que fez tanto sucesso.

As atuações carregam a série

Kim Moo-yul entrega um Na Hwa-jin de frieza calculada, o tipo de atuação contida que faz o silêncio pesar mais que qualquer apelo. Lee Sung-min, no papel do ministro Choi Gang-seok, como sempre chega com peso e credibilidade, e segura bem o lado político da trama. Jin Ki-joo, como a inspetora Im Han-rim, atua bem, mas o enredo tenta criar um teor cômico com os gritos dela. Não funciona.

A faca de dois gumes

O ponto principal da série é o protagonista usar quaisquer meios, inclusive violência, pra resolver os casos. A série não minimiza ou tenta esconder isso.

Isso dá o que falar, porque diversas perguntas ficam: dá pra ensinar usando violência? Onde o sistema educacional está falhando de verdade? Até onde um professor, ou uma agência, pode ir com menores? Aprendendo a Lição responde essas perguntas durante a série, mas e na vida real? Isso realmente funcionaria? Essa pergunta é devolvida pra quem está assistindo e eu honestamente não sei a resposta.

Talvez por conta desse ponto polêmico, a série prefira exagerar muito (ao menos, é o que eu espero). E, por soar exagerado, esse modo de agir parece ser a única opção. Mas o enredo até se resolve bem considerando o gênero que é.

Vale seu tempo?

Vale super seu tempo e sua maratona, mas com uma ressalva: a série entretém com exagero e vai muito de você acreditar que a solução apresentada na série é a ideal.

Até onde eu vi, não tem um retrato muito realista, mas tem coisa que chega perto sim da realidade. Acho que no fundo só espero, sinceramente, que seja exagero mesmo.

Se você gostou de A lição(The Glory), deve gostar da pegada de Aprendendo a Lição também.

Aprendendo a Lição (Teach You a Lesson) | 2026 | Direção: Hong Jong-chan | 10 episódios (60 minutos por episódio) | Onde assistir: Netflix

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