Verity: suspense que entretém, mas suaviza o terror e a tensão do livro
A adaptação de Verity entrega um suspense envolvente e um trio de protagonistas excelente, mas suaviza justamente o terror psicológico que tornou o livro de Colleen Hoover tão perturbador.

Verity (2026) é um dos lançamentos de suspense mais aguardados do ano, principalmente pela comunidade mundial de leitores. Desde o anúncio de que os direitos de adaptação do livro haviam sido vendidos e, depois, da escalação do elenco principal, a expectativa só cresceu.
Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006), assume o papel de Verity ao lado de Dakota Johnson, de Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey, 2015) e Josh Hartnett, de Armadilha (Trap, 2024). O filme é produzido pela Amazon MGM Studios e chegou aos cinemas brasileiros com distribuição da Sony Pictures.
Eu sou um grande fã do livro. Li Verity na época do lançamento no Brasil, no início da pandemia, em 2020, e nunca esqueci alguns dos trechos mais sombrios e assustadores da história. Por isso, fiquei muito interessado em conferir o filme e descobrir o que eu ia achar dessa adaptação.
Qual é a história de Verity?
Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora que tá praticamente falida quando recebe uma oportunidade difícil de recusar. Ela é contratada pra terminar os três livros restantes da série de sucesso da autora Verity Crawford (Anne Hathaway), que ficou impossibilitada de continuar escrevendo depois de sofrer um misterioso acidente.
Pra entender melhor a obra e o processo criativo de Verity, Lowen se muda temporariamente pra casa da autora e de seu marido, Jeremy Crawford (Josh Hartnett). É ali que ela encontra um manuscrito escondido com confissões perturbadoras sobre a vida de Verity e as tragédias que atingiram a família. A partir daí, Lowen começa a tentar descobrir onde termina a ficção e começa a realidade.
Curiosidades sobre Verity
Verity virou um fenômeno editorial
Publicado originalmente de forma independente em 2018, Verity foi um sucesso de divulgação boca a boca e acabou chegando à lista de mais vendidos do New York Times. Segundo dados publicados pela imprensa especializada, Verity já ultrapassou a marca de 2 milhões de exemplares vendidos e se tornou um dos maiores sucessos da carreira de Colleen Hoover. No Brasil, dados da Nielsen divulgados pelo PublishNews mostram que Verity foi o livro de ficção mais vendido de 2025, com mais de 180 mil exemplares comercializados.
Hoover já era uma autora conhecida por seus romances, mas Verity mostrou que ela também conseguia construir uma história de suspense psicológico capaz de deixar o leitor desconfortável. A recepção do público foi enorme, embora a crítica especializada tenha sido mais dividida, e nenhum aspecto do livro provocou tanta discussão quanto o final.
Até hoje, os leitores se dividem entre quem acredita “no manuscrito” e quem acredita “na carta”, elementos que aparecem durante a história. É praticamente o equivalente literário de discutir se Capitu traiu Bentinho: você pode passar horas defendendo seu lado e dificilmente vai convencer quem tá no outro.
Colleen Hoover virou presença constante no cinema
Verity chega ao cinema depois de uma sequência impressionante de adaptações de Colleen Hoover: É Assim que Acaba (It Ends With Us, 2024), estrelado por Blake Lively e Justin Baldoni, Se Não Fosse Você (Regretting You, 2025), estrelado por Allison Williams, Mason Thames, McKenna Grace e Dave Franco, e Uma Segunda Chance (Reminders of Him, 2026), estrelado por Maika Monroe e Tyriq Withers. Verity é, portanto, mais um capítulo da transformação de Hoover numa das autoras mais adaptadas por Hollywood nos últimos anos.
A tensão fica um pouco de lado, mas o elenco segura Verity

Verity é um filme de suspense competente que entretém e deve agradar principalmente quem não entrar na sala de cinema carregado de expectativas vindas da leitura do livro. O roteiro tem, sim, diferenças em relação à história original. Algumas delas, inclusive, deixam a trama mais leve e menos assustadora na versão pro cinema. Ainda assim, pra quem não teve contato com o livro e tá afim de assistir a um suspense legal, o filme cumpre seu propósito. Mesmo com as mudanças, a história segue a mesma linha narrativa do material original e mantém bons elementos de suspense pra prender quem tá assistindo.
O elenco é, pra mim, o ponto mais alto do filme. Anne Hathaway como Verity Crawford conseguiu me deixar hipnotizado com seu olhar e voz, eu gostei muito do mergulho que ela fez na mente dessa personagem. Dakota Johnson tá no papel perfeito pra ela: uma protagonista que descobre tudo junto com o espectador. Eu gosto muito da atriz pelo seu carisma e considero esse um dos melhores trabalhos dela até o momento, junto de Suspiria: A Dança do Medo (Suspiria, 2018). Josh Hartnett também entrega uma excelente atuação, principalmente no clímax do filme. Acho que os três conseguem segurar muito bem a atenção do público ao longo do filme.
Apesar de ter curtido a experiência, principalmente porque já entrei no cinema disposto a gostar dela, senti que o filme não conseguiu passar a mesma tensão que eu senti lendo o livro. Pra mim, isso acontece principalmente porque alguns acontecimentos foram cortados e nunca chegam às telas. A “cena do cabide”, por exemplo, me deixou horrorizado quando li o livro e faz muita falta pra quem espera encontrar o mesmo nível de desconforto no cinema.
Algumas escolhas visuais e de filmagem também impedem determinadas cenas de atingirem todo o potencial de terror e tensão. A “cena da escada” é um ótimo exemplo. É uma das minhas favoritas do livro e me fez ter arrepios no meio da madrugada enquanto eu lia. No filme, ela ganha outro tom e acaba perdendo boa parte do susto que funciona tão bem na história original.
Mesmo com esses pontos baixos, Verity tem uma coisa muito interessante pra quem lê livros e acompanha o mercado editorial. Uma autora que escreve histórias pelo ponto de vista de vilões terríveis, capazes de cometer as maiores atrocidades, precisa necessariamente pensar como eles? Uma personagem tão perturbadora revela alguma coisa sobre quem a criou? Ou a ficção permite justamente esse exercício de imaginar aquilo que jamais faria na vida real? Essa mistura entre ficção e realidade é uma das coisas mais interessantes de Verity.
Verity vale seu tempo?
Sim, Verity vale o seu tempo, principalmente se você já é fã do livro. Só recomendo ir com calma nas expectativas pra conseguir aproveitar melhor a experiência. Pra quem não conhece a história original, eu diria que vale se aventurar, mas não é um filme imperdível que você precisa ver no cinema.
Agora, se você não quer sentir FOMO (fear of missing out ou medo de ficar de fora) e perder as discussões sobre o filme na internet, aí vai ter que correr pro cinema mais próximo e tirar logo as suas próprias conclusões.
Se você gosta de filmes de suspense com protagonismo feminino e personagens que não são tão confiáveis assim, como Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), A Empregada (The Housemaid, 2025) e Um Pequeno Favor (A Simple Favor, 2018), existe uma boa chance de Verity funcionar pra você.
Se prepara pra mergulhar numa mente perturbadora e numa história cheia de gente suspeita.
Verity | 2026 | Direção: Michael Showalter | 1h 54min | Classificação: 16+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas




