Resident Evil: terror de sobrevivência assustador que homenageia os jogos da franquia

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Murilo Martouza

Resident Evil (2026) resgata o terror de sobrevivência dos primeiros jogos com gore, sustos, criaturas grotescas e muitas referências à franquia.

Imagem promocional do filme Resident Evil (2026), com um carro parado em uma estrada congelada em meio às arvores. O farol do carro está ligado e iluminando uma única pessoa parada em frente ao veículo, projetando uma sombra que forma o logo da Umbrella Corporation.

Resident Evil (2026) finalmente entrega no cinema o terror de sobrevivência que eu queria ver na franquia. Como fã dos jogos desde criança, fiquei especialmente animado quando descobri que a franquia de filmes teria um reboot e voltaria pro gênero de terror, deixando a ação mais de lado, como acontecia nos filmes já conhecidos de Paul W. S. Anderson. A proposta de voltar pra atmosfera de Raccoon City, com criaturas bizarras, muita tensão e aquela sensação de medo constante já tinha me ganhado.

Os filmes anteriores de Resident Evil, com Milla Jovovich, são divertidos. O problema é que eles são muito diferentes da obra original e, pra mim, estão longe de serem filmes realmente bons. Por isso, quando descobri que Zach Cregger, diretor de Noites Brutais (Barbarian, 2022) e A Hora do Mal (Weapons, 2025), estava envolvido no novo filme, minha animação triplicou.

O que acontece em Resident Evil (2026)?

Em Resident Evil acompanhamos Bryan (Austin Abrams), um entregador de suprimentos médicos que recebe uma missão simples: levar uma encomenda até o Hospital Geral de Raccoon City. Só que, no caminho, ele acaba no meio de uma noite de caos, com uma infecção tomando conta da cidade e criaturas mutantes surgindo por todos os lados.

Sem ser um soldado ou alguém preparado pra enfrentar uma epidemia de monstros, Bryan precisa atravessar uma Raccoon City em colapso enquanto tenta sobreviver e concluir sua entrega. No caminho, ele cruza com Maxine (Kali Reis), Paul (Paul Walter Hauser), Carl (Zach Cherry) e outros sobreviventes que também tentam escapar do pesadelo. O filme conta uma história inédita dentro do universo de Resident Evil, sem adaptar diretamente a trama de nenhum dos jogos.

Um filme tenso, assustador e cheio de gore

Bryan (Austin Abrams) ensanguentado bloqueando a porta de uma sala repleta de zumbis com um esfregão de madeira no filme Resident Evil (2026). Pelo vidro da porta, é possível ver as mãos ensanguentadas dos infectados trancados na sala.

Resident Evil é tenso do começo ao fim e quase não me deu um momento de descanso. Fiquei tenso durante as 1h37 mais longas da minha vida e, quando terminou, finalmente consegui respirar. Os infectados e as criaturas mutantes geradas pelo vírus T da Umbrella Corporation são assustadores e nojentos como devem ser. O filme também é cheio de gore e tem um trabalho de som absurdo de bom, um prato cheio pra quem curte bons sustos e efeitos visuais práticos.

E falando em sustos, Resident Evil sabe muito bem brincar com a expectativa. A câmera muda de perspectiva em alguns momentos, incluindo enquadramentos em primeira pessoa e ângulos sobre o ombro do protagonista que lembram diretamente a gameplay dos jogos. Isso me deu a sensação de estar jogando, controlando Bryan e esperando alguma coisa aparecer na próxima esquina.

Também gostei do protagonista. Austin Abrams carrega o filme inteiro nas costas e funciona bem porque Bryan está longe de ser o herói tradicional de Resident Evil. Ele é um cara comum, completamente perdido no meio daquele caos. O personagem é também o alívio cômico do filme, sem quebrar completamente a tensão das cenas de terror. Pra mim, esse equilíbrio funciona porque as piadas nascem da situação absurda em que Bryan se encontra e eu, como telespectador, consegui me identificar com ele, o que torna a experiência bastante imersiva.

Mas o que eu mais gostei foi perceber o quanto o roteiro entende a gameplay. Os becos, o esgoto e o hospital de Raccoon City são reconhecíveis pra quem já passou horas explorando esses lugares nos jogos. A própria progressão de Bryan na narrativa lembra uma campanha de Resident Evil, com exploração, busca por recursos, armas, obstáculos e novas ameaças aparecendo conforme ele avança.

Discussão entre os fãs e referências em Resident Evil (2026)

Uma das coisas mais curiosas em torno do lançamento do filme é a reação de parte dos fãs da franquia. Mesmo com a recepção positiva da crítica especializada, uma parcela do público não gostou tanto da nova adaptação e, antes mesmo da estreia, já estavam reclamando nas redes sociais que o filme não parecia suficientemente com Resident Evil e que a ausência dos personagens conhecidos e de uma adaptação direta dos jogos era um problema.

Após o lançamento do filme nos cinemas, também apareceram comentários defendendo os longas anteriores, com Milla Jovovich, algo curioso quando lembro que esses filmes também foram frequentemente criticados por parte dos fãs por se afastarem da história e da estrutura original. Aliás, a própria Milla elogiou a nova fase da franquia e disse que acredita que chegou a hora de Resident Evil ser refeito.

Eu entendo que cada fã tenha sua relação com a franquia, mas, pra mim, Resident Evil é a adaptação que mais carrega a essência dos jogos até agora. E o mais importante é que ele também funciona sozinho como filme de terror. Cregger não depende de Leon Kennedy, Claire Redfield ou Jill Valentine pra contar uma história de Resident Evil. Ele pega a estrutura junto da sensação de jogar e transforma isso em uma experiência cinematográfica própria.

As referências são um bônus delicioso pra quem conhece os jogos. A caixa médica de Bryan lembra a caixa de primeiros socorros de Resident Evil Remake, a máquina de escrever remete aos pontos de salvamento da maioria dos jogos da franquia, a espingarda na parede conversa diretamente com momentos de Resident Evil e Resident Evil 4, assim como as munições Heavyfield aparecem como uma referência direta ao quarto jogo. Tem ainda a erva verde, o cadeado que só pode ser aberto por uma chave com losango e outros detalhes espalhados pelo filme que recompensam o fã que presta atenção.

Resident Evil (2026) vale seu tempo?

Se você é amante de terror e fã dos primeiros jogos da franquia, minha resposta é sim. Se você é fã dos jogos, provavelmente vai sentir muita nostalgia durante a sessão, mas também vai levar alguns bons sustos, porque o filme consegue pegar o espectador completamente desprevenido em vários momentos.

Se você gosta de filmes como Invasão Zumbi (Train to Busan, 2016) e Extermínio (28 Days Later, 2002), tem grandes chances de curtir a experiência. E, se você já gosta do trabalho de Zach Cregger em Noites Brutais e A Hora do Mal, também vai encontrar aqui algumas das características que fazem o diretor funcionar tão bem no terror: tensão, humor inesperado e situações que mudam de direção quando você menos espera.

Eu saí da sessão querendo jogar Resident Evil 2 de novo e, principalmente, querendo ver o que Cregger faria com uma história inspirada diretamente na campanha de Leon. O enredo de Bryan, jogado no meio do caos de Raccoon City enquanto tenta sobreviver no ápice da infecção, me lembrou muito a chegada de Leon em seu primeiro dia de trabalho, só que com uma dose ainda maior de desespero.

Prepara o coração e vai fundo tomar uns sustos na sala de cinema!

Resident Evil | 2026 | Direção: Zach Cregger | 1h 37min | Classificação: 18+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas

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