Quinze Dias: o filme LGBTQIA+ brasileiro pra sentir orgulho

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Murilo Martouza

Quinze Dias adapta o livro de Vitor Martins com sensibilidade e muito bom humor. Uma história queer brasileira universal pra sentir orgulho de quem se é.

Felipe (Miguel Lallo) e Caio (Diego Lira) sentados à beira de uma piscina em cena de Quinze Dias, trocando olhares carinhosos durante as férias

O Mês do Orgulho LGBTQIA+ ganhou um presente especial com a chegada de Quinze Dias (2026) aos cinemas. Adaptado do livro de Vitor Martins, o filme transforma uma história já muito amada pelos leitores numa experiência ainda melhor nos telões.

Mais do que um romance adolescente, Quinze Dias é um filme pra sentir orgulho. Orgulho de ser quem se é, de ocupar espaços, de existir sem pedir desculpas. Em um momento em que representatividade queer importa cada vez mais, ver uma história tão brasileira, tão sensível e tão diversa chegando aos cinemas tem um significado enorme.

Sobre o que é Quinze Dias?

A história acompanha Felipe (Miguel Lallo), um adolescente gay e gordo que planeja aproveitar as férias escolares sozinho em casa, assistindo séries, ouvindo música e fugindo de qualquer situação constrangedora. Só que seus planos mudam completamente quando sua mãe (Débora Falabella) decide hospedar seu vizinho, Caio (Diego Lira), antigo amigo e crush de Felipe.

Durante quinze dias, os dois terão que conviver de forma muito mais próxima do que Felipe imaginava. Entre inseguranças, descobertas, amizades e sentimentos que nunca desapareceram, o garoto precisará lidar não só com o primeiro amor, mas também com a forma como enxerga a si mesmo.

Por que Quinze Dias me fez sentir tanto orgulho?

Felipe (Miguel Lallo) e Caio (Diego Lira) sorrindo abraçados em cena de Quinze Dias, demonstrando a proximidade e o afeto entre os personagens.

Assisti ao filme em uma sessão antecipada especial pra fãs do livro em São Paulo, no dia 7 de maio, com a presença do diretor, Daniel Lieff, do autor do livro, Vitor Martins, e do elenco principal, Miguel Lallo, Diego Lira, Mika Soeiro e Bel Moreira. Como alguém que já era apaixonado pelo livro, cheguei com expectativas altas e, felizmente, saí da sessão ainda mais apaixonado pela história.

Antes da exibição começar, o próprio Vitor comentou que acreditava que o filme tinha se saído melhor do que o livro e, depois dos créditos, percebi que ele tinha muita razão. A adaptação consegue aprofundar temas que já existiam no livro e trazer novas camadas que não estavam presentes nas páginas, principalmente relacionadas ao personagem do Caio.

O filme é naturalmente engraçado e quando não estava me fazendo rir, me fazia chorar. O elenco encarnou super bem os personagens, as conversas entre eles funcionam, eles tem química e as situações parecem reais e a gente se identifica com elas.

O romance entre Felipe e Caio é muito fofo e importante pra história, sim, mas Quinze Dias é mais que uma história de amor LGBT+. É um filme sobre autoestima e as inseguranças que sentimos com o nosso próprio corpo, que independe de orientação sexual. É sobre identidade, amizade, família e sobre aprender a enxergar valor em quem a gente é.

Vale a pena assistir Quinze Dias?

Vale demais! Quinze Dias é uma história pra todos os públicos, que vai emocionar e divertir quem se abrir pra essa experiência. Fazendo parte da comunidade LGBTQIAPN+ ou não, o filme traz temas e sentimentos que qualquer ser humano já se deparou, logo, a identificação com a história é inevitável.

Saí da sessão de cinema com a sensação de que mais gente precisava conhecer essa narrativa, porque somos diferentes e isso não deveria ser motivo de vergonha, deveria ser justamente o contrário.

Por isso, mais do que um filme sobre o Orgulho LGBT, Quinze Dias é um filme pra sentir orgulho de si mesmo e, na telona do cinema, esse sentimento é muito mais satisfatório.

Quinze Dias | 2026 | Direção: Daniel Lieff | 1h 40min | Classificação: 12+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas

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