Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é nostálgico, divertido e vai te fazer chorar
28 anos depois do primeiro filme, Sandra Bullock e Nicole Kidman voltam como Sally e Gillian Owens em uma nova aventura de magia, família e amor. Eu fui ao cinema movido pela nostalgia e saí com lágrimas nos olhos.

28 anos depois do primeiro filme, Da Magia à Sedução (Practical Magic, 1998), Sandra Bullock e Nicole Kidman voltam aos papéis das irmãs Owens em Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2, 2026). Pra mim, essa volta das atrizes para os papéis já foi motivo suficiente pra comprar o ingresso, porque eu e minha irmã somos fãs do primeiro filme desde pequenos, quando minha tia nos apresentou a ele em DVD.
Entrei no cinema carregando a minha memória afetiva e fiquei bastante feliz ao perceber, no decorrer do filme, que estava criando ali mais uma boa memória com esse universo de bruxas e magia, agora com uma expansão do que eu já amava no primeiro filme e com um forte sentimento de nostalgia.
O que acontece em Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor?
A história acompanha Sally (Sandra Bullock) e Gillian Owens (Nicole Kidman) quase três décadas depois dos acontecimentos do primeiro filme. As tias Jet (Dianne Wiest) e Frances (Stockard Channing), assim como Sal e Gilly, agora convivem com uma nova geração de mulheres na família: as filhas de Sally, Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), que cresceram sem conhecer completamente a história mágica da própria família.
Quando Kylie se apaixona por Gideon (Xolo Maridueña), a antiga maldição das Owens volta a ameaçar a família. A situação leva Kylie a uma jornada que passa pela Inglaterra e coloca Sally e Gillian novamente diante dos segredos, da magia e das histórias que cercam suas antepassadas, conhecendo no caminho o misterioso professor Ian Wright (Lee Pace), que embarca na aventura com as irmãs.
A nostalgia é o feitiço de Da Magia à Sedução 2

O roteiro de Da Magia à Sedução 2 é simples. Não vou fingir que existe uma grande reinvenção da franquia. O que me encantou foi outra coisa: voltar pra esse mundo e reencontrar personagens que fizeram parte da minha infância e que, particularmente, ficaram muito bem guardadas na minha memória afetiva.
A aventura tem alguns picos dramáticos bem fortes, incluindo um que eu realmente não esperava e que me fez chorar no cinema. Ao mesmo tempo, o filme sabe quando aliviar o clima com piadas, momentos bobos e divertidos e uma expansão interessante do universo apresentado em 1998.
Se tem uma coisa que funciona muito bem é a química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman. As duas claramente sabem o espaço que ocupam juntas em cena e isso rende alguns dos melhores momentos do filme. Eu sinto a intimidade e a irmandade entre Sally e Gillian principalmente nos abraços, nas brincadeiras e nas pequenas provocações. Kidman, em especial, parece se divertir muito como Gillian, e boa parte das melhores piadas nasce justamente dessa energia mais caótica da personagem.
Também gosto muito de como a franquia continua conseguindo falar de assuntos pesados sem pesar demais. Desde o primeiro filme, Da Magia à Sedução consegue colocar luto, solidão, relacionamentos, família, trauma e amor dentro de uma história de bruxas que também quer ser divertida. A continuação segue essa mesma lógica e consegue transitar entre esses temas sem parecer tão bagunçada quanto poderia.
As referências ao primeiro filme foram praticamente um abraço de fã pra fã. Tem o retorno de “Coconut”, a música de Harry Nilsson que acompanha a clássica cena das margaritas à meia-noite, além de novos momentos com margaritas, o besouro da morte, a colher de chá que se mexe sozinha e o retorno de Stevie Nicks na trilha sonora. Eu reconheci várias dessas referências com um sorriso involuntário de quem tá revendo um pedaço de memória e pegando referências no ar.
Curiosidades sobre Da Magia à Sedução 2
O que aconteceu com Evan Rachel Wood?
Uma das principais tretas de bastidores envolvendo o filme aconteceu por causa de Evan Rachel Wood, que interpretou Kylie no primeiro filme. A atriz contou que chegou a oferecer seus serviços pra continuação, até mesmo pra uma participação pequena, mas recebeu a informação de que a personagem seria reescalada. Depois, Wood revelou que Joey King, que assumiu o papel, foi a única pessoa ligada ao filme que entrou em contato com ela sobre a troca. A produtora Denise Di Novi explicou que a decisão estava relacionada à história, que apresentaria as filhas como jovens adultas, e não a uma rejeição à atriz.
Da Magia à Sedução é baseado em livro?
Outra curiosidade que eu adoro é que a história das Owens nasceu nos livros de Alice Hoffman. A série literária tem 4 livros: Da Magia à Sedução, O Livro de Magia, As Regras do Amor e da Magia e Lições de Magia, em ordem de publicação. Eles também podem ser lidos em ordem cronológica, já que os dois últimos livros são prequelas que contam a história das tias Jet e Frances e da criadora da maldição da família, Maria Owens.
Os filmes, porém, não são adaptações literais. O primeiro parte do romance Da Magia à Sedução, de 1995, mas transforma bastante a história pro cinema. Já a continuação usa principalmente O Livro de Magia como inspiração, mas também faz mudanças importantes na trama e na dinâmica das personagens. Ou seja, conhecer os livros ajuda a entender melhor a mitologia das Owens, mas não é pré-requisito pra acompanhar os filmes.
Da Magia à Sedução 2 vale seu tempo?
Da Magia à Sedução 2 vale a pena e, pra mim, é principalmente um filme gostoso pra assistir em casa com a família. Se você já é fã do primeiro, a nostalgia faz boa parte do trabalho. Mas, se nunca teve uma relação tão forte com as Owens, ainda dá pra entrar nessa aventura em busca de uma história divertida, fofa e cheia de magia.
Se você gosta de filmes divertidos com bruxas, como Abracadabra (Hocus Pocus, 1993), A Cidade do Halloween (Halloweentown, 1998) e Twitches: As Bruxinhas Gêmeas (Twitches, 2005), mas também curte dramas femininos mais adultos, como Sex and the City: O Filme (Sex and the City, 2008), existe uma boa chance de você encontrar aqui uma mistura que funciona. Eu saí do cinema feliz por ter voltado pra esse universo, mesmo sabendo que o filme não é perfeito.
Dê o play e mergulhe de cabeça na magia da família Owens!
Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor | 2026 | Direção: Susanne Bier | 2h 10min | Classificação: 12+ | Onde assistir: Em cartaz nos cinemas




