O Tempo e o Vento: pra quem quer ver uma história de amor que viaja pelo tempo

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Dani Vieira

Um amor intenso, proibido e inesquecível no meio da guerra. O Tempo e o Vento é a história de Bibiana e Capitão Rodrigo, um romance que marca pra sempre.

Cena do filme O Tempo e o Vento de 2013: um casal vestido com trajes típicos gaúchos do século XIX está no centro da imagem, rodeado por outros personagens em frente a uma construção de época. O homem usa farda azul e bombacha vermelha, e a mulher usa vestido branco rendado.

Tem amores que não cabem em uma vida só. Assisti O Tempo e o Vento, a adaptação da trilogia do escritor gaúcho Érico Veríssimo, e saí com a certeza exata desta frase. No centro de tudo, uma paixão que atravessa décadas, guerras e gerações, e que, mesmo décadas depois de escrita, ainda me emociona.

O filme de 2013 conta a história dos livros de Veríssimo, e ficou na minha cabeça bem depois dos créditos. Vou te contar o porquê.

A história que o filme conta

O Rio Grande do Sul do final do século XIX está em guerra. Forças federalistas cercam o Sobrado da família Cambará. É nesse momento de tensão que tudo começa, e eu senti esse clima de urgência desde o primeiro minuto.

A idosa Bibiana Terra, vivida por Fernanda Montenegro, encara o cerco e deixa a mente viajar pra reconstruir toda a saga da família. É ela quem narra essa história pro Capitão Rodrigo Cambará: o grande amor que moldou sua vida e que ela nunca deixou de carregar no coração.

Essa viagem ao passado começa bem antes de Bibiana nascer, com a história da avó dela, Ana Terra (Cléo Pires). Ana enfrenta violência, solidão e perda no Rio Grande do Sul colonial, mas encontra força para amar e resistir, e eu me peguei mais identificada com essa resistência do que esperava. É do romance dela com Pedro Missioneiro que nasce o filho que, gerações depois, é pai da Bibiana.

A história de Ana é só o ponto de partida: o filme atravessa décadas até chegar à geração de Bibiana e ao romance que é o coração do filme, o dela com o Capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda). Ele é sedutor, impulsivo, do tipo que encanta e vira a vida de quem cruza seu caminho do avesso, e eu entendo perfeitamente por que ela nunca conseguiu esquecê-lo.

Entre as duas gerações, desejo, conflito e um amor que insiste em sobreviver mesmo quando tudo parece contra. Dirigido por Jayme Monjardim e com roteiro de Tabajara Ruas e Letícia Wierzchowski, o filme se concentra no primeiro volume da trilogia de Érico Veríssimo, O Continente.

A intensidade que fica

A fotografia de Affonso Beato dá ao romance toda a grandiosidade que ele merece, confesso que parei numa cena dos campos abertos só pra olhar a luz. O Rio Grande do Sul aparece nas telas como cenário perfeito para essa paixão: os campos abertos, a luz, o tempo que parece parar entre Bibiana e Rodrigo.

Pra mim, o ritmo acelerado é o único ponto que me deixou querendo mais: condensar uma história tão densa em menos de 2 horas tem um preço, senti que a paixão entre os dois merecia mais tempo de tela. Ainda assim, a intensidade do romance central me manteve presa até o fim.

Se você se apaixonou por essa história, tem mais

Terminei o filme querendo viver mais dessa paixão, e encontrei a recompensa: a minissérie de 1985 da TV Globo, disponível no Globoplay. Pra mim, e pra muita gente, é a melhor adaptação já feita: 26 capítulos, fôlego suficiente para se aprofundar em cada olhar, cada reencontro e cada despedida entre os protagonistas. A trilha sonora de Tom Jobim só intensifica o clima.

A minissérie foi, e é considerada até hoje, uma das produções mais ambiciosas da televisão brasileira. No Memorial Globo, fala que quase 5 mil pessoas estiveram envolvidas na produção, e uma cidade cenográfica inteira foi construída em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, só para dar vida a essa história. Tarcísio Meira como Capitão Rodrigo e Louise Cardoso como a jovem Bibiana formam, pra mim, um dos casais mais lembrados da TV brasileira, com Glória Pires no papel de Ana Terra e Lima Duarte no elenco de apoio.

Cena em preto e branco da minissérie O Tempo e o Vento de 1985. Um homem vestido com trajes de militar gaúcho do século XIX cavalga em frente a uma construção de época, enquanto duas mulheres observam pela janela.

Se quiser se entregar de vez, vai direto à fonte. A trilogia de livros do Érico Veríssimo, composta por O Continente, O Retrato e O Arquipélago, está disponível pela Companhia das Letras, em 7 volumes, cada um revelando novas camadas dessa paixão que atravessa o tempo.

Vai dar o play?

O Tempo e o Vento é, antes de tudo, uma história de amor que não se apaga. Bibiana e Rodrigo carregam uma paixão que sobrevive à guerra, à distância e ao tempo, e que conseguiu me tocar décadas depois de ter sido escrita. Ana Terra, especialmente, é uma personagem que eu levei pro coração.

Se você nunca conheceu essa história, eu indico o filme como o convite perfeito pra se apaixonar por ela. Se já conhecia, essa é a desculpa ideal pra reviver essa paixão pela minissérie. Prepara o coração e só vai.

Onde assistir o filme: Netflix | Duração: 1h55 minutos | Classificação: 14+ | Direção: Jayme Monjardim | 2013

Onde assistir a minissérie: Globoplay | 26 episódios | Direção: Paulo José, Wálter Campos e Denise Saraceni | Classificação: 14+ | 1985

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